A reforma tributária deve mudar a forma como as empresas administram o caixa. Com o split payment, os valores correspondentes a tributos como IBS e CBS poderão ser separados no momento da liquidação financeira e direcionados ao Fisco, sem passar integralmente pelos recursos disponíveis da companhia.
A mudança reduz a disponibilidade temporária de dinheiro que algumas empresas usavam para financiar operações e capital de giro. O efeito pode ser mais relevante para negócios pequenos e médios, que precisarão revisar projeções financeiras, prazos e necessidades de recursos.
Caixa, ciclo financeiro e crédito
Historicamente, existe um intervalo entre o recebimento de uma venda e o pagamento de determinados tributos. Nesse período, o dinheiro permanece temporariamente no caixa da empresa. Com a nova dinâmica, parte desse valor deixa de estar disponível para o pagamento de fornecedores, da folha e de outras despesas.
O ciclo financeiro também precisará ser recalculado. Ele envolve o período entre o pagamento ao fornecedor, a permanência do produto em estoque, a realização da venda e o recebimento pelo cliente. Quanto maior esse intervalo, maior tende a ser a necessidade de capital para manter a operação.
Prazos de fornecedores, política de estoques, condições oferecidas aos clientes e gestão de recebíveis passam a ter peso ainda maior na liquidez. Se a necessidade de capital de giro aumentar, algumas empresas poderão recorrer mais ao crédito. A fonte destaca, porém, que o custo de capital continua elevado, o que pode transformar falhas no planejamento do caixa em dívidas caras.
A preparação deve ocorrer durante o período de transição. Entre as medidas estão simular cenários de fluxo de caixa, revisar prazos médios de recebimento e pagamento, calcular a necessidade real de capital de giro, renegociar condições comerciais e fortalecer a reserva financeira.
Além de exigir adaptações em sistemas, processos e contabilidade, a reforma tributária tende a exigir uma mudança na gestão financeira. As empresas precisarão acompanhar com mais precisão o caminho do dinheiro dentro da operação e planejar os recursos que permanecerão disponíveis após a separação dos tributos.



