A retomada parcial de um oleoduto na Arábia Saudita e o aumento das vendas do país para refinarias asiáticas pressionaram os preços do petróleo nesta quinta-feira, 17/09/2026. O movimento ocorre enquanto o mercado acompanha os riscos de abastecimento no Oriente Médio.
Às 7h05 (horário de Brasília), o Brent para entrega em novembro recuava 2,5%, a US$ 103,14 o barril. O WTI para entrega em outubro caía 2%, para US$ 100,42. Na quarta-feira, o Brent já havia perdido 2,7%.
Capacidade e rotas de transporte
A Arábia Saudita trabalha para recuperar, em poucos dias, cerca de metade da capacidade do oleoduto Leste-Oeste. A estrutura transporta petróleo pelo território saudita até a costa do Mar Vermelho e foi danificada na semana passada durante ataques com drones.
Ao mesmo tempo, o país ampliou o fornecimento para refinarias asiáticas, com carregamentos coletados em áreas próximas ao Estreito de Ormuz. A rota liga o Golfo Pérsico aos mercados globais e é uma alternativa para o transporte de petróleo saudita.
As estimativas sobre o volume que passa pelo estreito variam. Chris Wright, secretário de Energia dos Estados Unidos, afirmou à Fox Business que 18 milhões de barris de petróleo bruto e derivados atravessaram a passagem em um único dia no início desta semana. A média dos últimos sete dias teria sido de 11 milhões de barris por dia. Já a Clarksons Research calculou o fluxo diário em cerca de 8 milhões de barris.
Conflitos mantêm risco sobre o abastecimento
Apesar da reação negativa nas cotações, permanecem as tensões entre os Estados Unidos e o Irã, o conflito entre Rússia e Ucrânia e os ataques de militantes houthis contra instalações petrolíferas e embarcações sauditas. Os houthis avançam em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, no sul do Mar Vermelho.
Arne Lohmann Rasmussen, analista-chefe da Global Risk Management em Copenhague, disse que a reabertura parcial do oleoduto e o fluxo pelo Estreito de Ormuz pressionam o petróleo no curto prazo, mas que o conflito com os houthis limita a margem para alívio do mercado.
O petróleo bruto acumulou alta de mais de 70% neste ano. A valorização contribuiu para pressões inflacionárias que levaram o Federal Reserve a elevar as taxas de juros na quarta-feira e a sinalizar um aperto monetário maior. Para Rasmussen, a queda atual pode representar “uma oportunidade de compra na baixa, tanto para petróleo bruto quanto para produtos refinados”.
Nos Estados Unidos, o Congresso aprovou um projeto que dá a Donald Trump novos poderes para impor tarifas a países compradores de produtos petrolíferos russos, incluindo potencialmente China e Índia. A proposta aguarda sanção presidencial. O governo da Ucrânia recebeu a medida de forma positiva, enquanto a Rússia restringiu a maior parte das exportações de diesel para priorizar o mercado interno e avalia manter a limitação até outubro.



