Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada ainda não aceita pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República, que ACM Neto e Antônio Rueda teriam recebido 10% dos valores aplicados por institutos estaduais de previdência no Banco Master.
De acordo com o relato atribuído ao banqueiro, os dois dirigentes do União Brasil teriam ajudado a captar cerca de R$ 2 bilhões para a instituição. A suposta comissão corresponderia a R$ 200 milhões em vantagens indevidas. As acusações envolvem investimentos de fundos de previdência do Rio, do Amapá e do Amazonas.
ACM Neto e Antônio Rueda negam irregularidades e afirmam que as acusações são falsas. Como a proposta de delação ainda não foi aceita, os relatos apresentados por Vorcaro não foram homologados pelas autoridades responsáveis pela análise do acordo.
Investigação sobre operação
A apuração envolvendo os dois políticos veio a público após o ministro Alexandre de Moraes divulgar um relatório da Polícia Federal. O documento cita uma suposta demora do ministro André Mendonça para autorizar uma operação contra Rueda.
O caso ocorre em meio a uma crise no Supremo Tribunal Federal relacionada às investigações sobre o Banco Master. O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu decisões de Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal e marcou para 15 de setembro uma sessão extraordinária do plenário para analisar o episódio.
Mendonça havia afastado o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Depois, Dino determinou a reintegração dos dois.
Também por causa do caso, Fachin retirou de Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, aberto em 2019 para investigar ataques e ameaças contra ministros do STF. As investigações derivadas ficarão sob responsabilidade da Presidência do Supremo, que deverá encaminhá-las à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.



