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Orlen rescinde contrato após receber só parte do petróleo venezuelano

Estatal polonesa pagou US$ 230 milhões antecipados, mas recebeu cerca de 500 mil barris de óleo combustível em vez dos 6 milhões previstos.

Orlen rescinde contrato após receber só parte do petróleo venezuelano

A Orlen rescindiu em março de 2024 um contrato para comprar petróleo venezuelano depois de receber apenas uma fração do volume combinado. A estatal polonesa havia antecipado US$ 230 milhões à Hannon International, empresa de Kam Ho “Alex” Tse, para adquirir cerca de 6 milhões de barris, mas conseguiu carregar aproximadamente 500 mil barris de óleo combustível.

O negócio, conduzido pela Orlen Trading Switzerland (OTS), braço de negociação da Orlen, gerou uma perda estimada em US$ 440 milhões. O governo polonês calculou o prejuízo em pelo menos 1,6 bilhão de zlotys, ou US$ 424 milhões, incluindo custos de navegação, despesas jurídicas e outros valores atribuídos à má gestão.

Navios ficaram sem carga

Três superpetroleiros fretados pela Orlen chegaram à Venezuela em meados de dezembro de 2023. A previsão era receber os 6 milhões de barris em três etapas, até 19 de dezembro. Os navios, porém, permaneceram vazios por semanas, enquanto a empresa acumulava taxas portuárias.

O carregamento só ocorreu em março de 2024, no porto de José, quando um navio recebeu cerca de 500 mil barris de óleo combustível. O volume correspondia à metade do esperado no contrato original.

O acordo previa a compra da mistura pesada Merey 16, produzida pela estatal venezuelana PDVSA. A OTS estimava obter lucro de US$ 25 a US$ 30 milhões. A Orlen declarou que “obrigações de confidencialidade” impediam comentários sobre o contrato.

Pagamentos em criptomoedas

O contrato exigia o pagamento antecipado de dois terços do valor, mas não mencionava criptomoedas. Para tentar viabilizar a compra, Tse buscou USDT, moeda digital da Tether atrelada ao dólar, usando empresas e tradings sediadas em Dubai.

O dinheiro, contudo, não chegou à PDVSA. Tse recorreu ao italiano Vitonicola Mariano, que se apresentava como agente nomeado da estatal e administrava a Lexcor Energy. Depois, em Caracas, foram entregues valores em USDT a outros intermediários. José Castillo, da agência Synergy, teria recebido mais de US$ 100 milhões em janeiro de 2024. Em fevereiro, Juan Rodríguez, da Consulting Services, recebeu outro pendrive com US$ 11 milhões.

Pelo relato de Tse, US$ 132 milhões foram repassados a dois corretores, sem retorno correspondente em petróleo. A empresa dele afirmou ainda que US$ 54 milhões foram perdidos em taxas de criptomoedas e em outras tentativas de obter a carga.

Investigação após mudança de governo

A operação começou no fim de 2023, depois que Samer Awad, então responsável pelo braço suíço de negociação da Orlen, teria pedido a Tse que buscasse petróleo venezuelano. O objetivo aproveitava o relaxamento temporário das sanções dos Estados Unidos à indústria petrolífera da Venezuela. Em outubro de 2023, Washington flexibilizou as restrições por seis meses.

A mudança de governo na Polônia levou à revisão da administração das empresas estatais. O partido Lei e Justiça (PiS) perdeu o governo para a coalizão de Donald Tusk, e a nova gestão identificou problemas de governança na operação com a Hannon.

Antes de uma reunião de 4 de abril com a KPMG, um e-mail interno orientou a equipe a analisar o pré-pagamento, as possibilidades de recuperação, eventual impairment e fraude, a exposição a sanções e as obrigações de insolvência suíças.

Mais de dois anos depois, a Orlen tenta recuperar os US$ 230 milhões pagos antecipadamente à Hannon. A disputa está em arbitragem, enquanto a empresa de Tse declarou não ter nem perto desse valor.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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