A preparação para a Reforma Tributária deverá levar empresas a revisar estoques, preços, compras e prazos de recebimento. Com o split payment, a parcela destinada ao IBS e à CBS poderá ser separada no momento da liquidação da venda, reduzindo o valor disponível para a operação naquele instante.
A mudança atinge especialmente negócios que trabalham com ciclos financeiros mais demorados ou mantêm grande volume de recursos aplicado em mercadorias. Nesses casos, será necessário avaliar com mais cuidado a necessidade de capital de giro e o intervalo entre a compra, a venda e o recebimento.
Estoque e capital de giro
O estoque passa a ter papel importante nessa análise porque representa dinheiro aplicado até a venda do produto e a entrada do pagamento. Mercadorias com baixa rotatividade podem aumentar a necessidade de recursos para manter a operação, mesmo quando a empresa registra lucro na contabilidade.
Para empresas do comércio, a revisão deve considerar o volume comprado, o tempo de permanência dos produtos, as condições acertadas com fornecedores e os prazos oferecidos aos clientes. Uma estratégia que amplia as vendas, mas exige mais mercadorias ou demora para transformar a venda em recebimento, pode pressionar a disponibilidade financeira.
Anderson Diogenes Pavanello, CEO do Meu Contador Online, explica que o mecanismo muda a forma de circulação dos tributos: “Em vez de a empresa receber integralmente o valor da venda e recolher o imposto posteriormente, a parcela correspondente ao IBS e à CBS poderá ser segregada durante a liquidação financeira da operação.”
Integração na gestão
A nova dinâmica também exige atenção à formação de preços, à negociação com fornecedores e ao prazo concedido aos consumidores. Comprar além da necessidade, manter produtos parados ou sustentar um ciclo operacional extenso poderá ter impacto financeiro maior com a separação dos tributos na liquidação.
Por isso, pequenos e médios empresários deverão aproximar o controle contábil da administração financeira. Entre os dados que precisam ser acompanhados estão o prazo médio de recebimento, o tempo de giro do estoque, as condições de pagamento negociadas e a demanda mensal por capital de giro.
A avaliação não deve se limitar à comparação entre percentuais de impostos. Também entram nessa análise o faturamento, a margem, a folha de pagamento, o perfil de clientes e fornecedores, a capacidade de geração de créditos e as características de cada operação.
Preparação antes de 2027
O Meu Contador Online (MCO) informou que vem estruturando esse trabalho para sua carteira, formada por 3.943 clientes no Simples Nacional. A empresa orienta os negócios a analisar os efeitos da Reforma Tributária conforme suas próprias características.
A proposta é organizar as informações financeiras antes da entrada das novas regras. Para Anderson Diogenes Pavanello, compreender quanto dos tributos efetivamente permanece disponível no caixa será cada vez mais importante. “E o caixa sente aquilo que a contabilidade, sozinha, nem sempre consegue contar”, afirmou.
A Reforma Tributária, nesse cenário, envolve não apenas a definição de alíquotas, mas também a conexão entre tributação, estoque, compras, preços, recebimentos e pagamentos.




