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Ministros veem tentativa de Moraes de ampliar crise interna no STF

Ala ligada a André Mendonça avalia que investigação aberta por Alexandre de Moraes envolveu o tribunal na disputa sobre o Banco Master.

Ministros veem tentativa de Moraes de ampliar crise interna no STF
Foto: Folhapress

Uma ala de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que Alexandre de Moraes tentou ampliar a disputa com André Mendonça ao pedir uma investigação contra o colega por abuso de autoridade. A medida foi anunciada na quinta (3) e provocou desconforto entre magistrados próximos a Mendonça.

Para esse grupo, Moraes buscou colocar sob a mesma análise condutas de diferentes ministros relacionadas à investigação do caso do Banco Master. A avaliação é que a estratégia poderia angariar apoios internos, envolver todo o tribunal e aprofundar a crise.

Os ministros também consideram que as acusações feitas contra Mendonça não seriam comparáveis ao vínculo identificado entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na visão deles, Moraes deveria ter encaminhado um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo providências sobre o que classificou como abuso de autoridade, sem recorrer ao inquérito das fake news.

A escolha desse procedimento também gerou críticas internas. Há uma discussão, pelo menos desde a gestão de Luis Roberto Barroso (2023-2025), sobre o encerramento do inquérito. Para os críticos, a decisão de Moraes abriu espaço para novas contestações à corte e dificultou a retomada da normalidade.

Pedidos de esclarecimento e acusações

Fachin informou aos ministros que pediria explicações a todos os envolvidos no caso: Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão surpreendeu os magistrados que discordam da atuação de Moraes, que esperavam uma manifestação dele sobre as acusações, sem a inclusão de outros integrantes do tribunal.

Na decisão, Moraes afirmou que relatórios de inteligência da PF apontavam direcionamento da produção de provas para atribuir falsamente crimes a ministros do STF. O documento menciona Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

Entre os fatos citados estão o recebimento de R$ 281,6 mil, entre 2024 e 2025, pelo advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Kassio, de uma consultoria que trabalhou para o Master. Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, recebeu convite de Daniel Vorcaro para um camarote VIP na Marquês de Sapucaí e acompanhou o Desfile das Campeãs do Carnaval do Rio em 2025.

Empresas da família de Dias Toffoli foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos do Master. A informação levou à saída do ministro da relatoria da investigação em fevereiro. No caso de Moraes, o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, recebeu R$ 80 milhões do Banco Master. Também vieram a público mensagens trocadas com Vorcaro, apontado como líder de uma organização criminosa.

Moraes incluiu crime de responsabilidade entre as condutas que pretende ver apuradas. Aliados de Mendonça interpretaram a medida como um sinal de que ele considera a possibilidade de impeachment do colega. Esses aliados afirmam que Moraes é alvo do maior número de pedidos desse tipo no Senado, enquanto Mendonça recebeu apenas um.

Disputa sobre a investigação

Moraes acusa Mendonça de conduzir de forma irregular tratativas de delações premiadas e de direcionar alvos da apuração por razões pessoais e políticas, com indicação antecipada de medidas cautelares para a Polícia Federal. Entre os supostos alvos estariam Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Alcolumbre, aliado de Moraes e responsável por abrir pedidos de impeachment de ministros do Supremo, declarou na terça que não é normal haver 109 pedidos contra integrantes da corte. A oposição bolsonarista no Congresso e o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, voltaram a defender o impeachment de Moraes. Aliados de Alcolumbre, porém, avaliam que a possibilidade de avanço de um processo desse tipo é zero no momento.

A disputa também envolve acusações contra Mendonça. Entre os pontos questionados estão a abertura de investigação contra um ministro sem passar pelo plenário, pressão sobre a PF, pedido de acesso a dados brutos e extrapolação da função de juiz, conforme avaliação da Procuradoria-Geral da República. Moraes ainda afirma que Mendonça teria buscado favorecer grupos políticos. O relator do caso teria se encontrado com Vorcaro antes de assumir a relatoria e da deflagração da operação.

A sequência dos acontecimentos começou em 24.ago, quando Mendonça pediu um relatório à PF. Em 27.ago, recebeu o documento sobre Moraes. Em 1º.set, retirou o sigilo e pediu uma sessão a Fachin; no mesmo dia, vieram a público suspeitas contra Moraes, e Gonet defendeu a anulação do relatório. Em 2.set, Mendonça admitiu encontro privado com Vorcaro. Em 3.set, Fachin determinou que Mendonça, Moraes, Gonet e o chefe da PF prestassem informações. Em 4.set, retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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