A volta do Congresso após as eleições deve colocar em disputa o espaço do Orçamento de 2027. Deputados e senadores poderão pressionar pela inclusão de até 12,7 bilhões de reais em emendas de comissão, enquanto o governo tenta preservar despesas consideradas prioritárias.
A proposta enviada pelo Executivo já prevê 44,8 bilhões de reais para emendas individuais e de bancadas estaduais, que têm execução obrigatória. Com a possível inclusão das emendas de comissão, o total chegaria a 57,5 bilhões de reais — mais de um quarto dos recursos disponíveis para custeio e investimentos do governo federal.
Recursos em disputa
Os 12,7 bilhões de reais adicionais não foram reservados no projeto. Se o Congresso decidir incorporá-los integralmente, será necessário retirar dinheiro de outras ações orçamentárias. Entre as despesas que podem sofrer pressão estão investimentos em infraestrutura e programas de ciência, educação, saúde e fiscalização.
A tramitação do Orçamento foi deixada para depois das eleições. O projeto chegou ao Congresso em 31 de agosto, mas o processo praticamente não avançou. Até agora, não começou a apresentação de emendas, nem a análise dos relatórios setoriais e do parecer-geral.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 também ainda não foi votada. Com isso, deputados e senadores deverão retomar as discussões depois de saber quem comandará o Planalto a partir de janeiro.
A principal decisão será definir quais despesas perderão espaço para financiar uma parcela das emendas parlamentares. O governo e os congressistas terão de negociar a composição final do Orçamento, incluindo ou não os recursos adicionais destinados às emendas de comissão.



