O JPMorgan manteve a Tenda (TEND3) como sua principal escolha entre as construtoras residenciais brasileiras e reiterou a recomendação de compra para as ações. O banco calcula potencial de valorização de 59%, até o preço-alvo de R$ 52,50.
A instituição avalia que o comportamento das empresas do setor deverá ficar mais ligado às expectativas para as eleições de 2026. Na análise, uma eventual troca de governo poderia favorecer companhias voltadas aos segmentos de média e alta renda, enquanto a continuidade da atual administração tenderia a beneficiar as incorporadoras de baixa renda apoiadas por programas governamentais.
Recomendações por segmento
Com a hipótese de permanência do governo atual, o JPMorgan recomenda a compra de Tenda, Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3). Para Cyrela (CYRE3) e EZTEC (EZTC3), a indicação é neutra, diante das incertezas relacionadas a 2027. Ainda assim, o banco vê espaço para valorização desses papéis se houver mudança na percepção dos investidores.
A Direcional aparece como a segunda preferência, com potencial de alta de 60% e preço-alvo de R$ 17,50. O banco considera que a empresa negocia a 5,4 vezes o preço sobre lucro estimado para 2027, com desconto de 22% em relação à Cury. Também são destacados o banco de terrenos em Belo Horizonte, favorecido pela nova legislação de zoneamento, e a parceria com a Moura Dubeux em projetos de baixa renda no Nordeste.
Para a Cury, o preço-alvo passou de R$ 43,50 para R$ 48, representando possibilidade de alta de 49%. A companhia registra conversão de 75% do lucro líquido em fluxo de caixa livre, índice apontado pelo JPMorgan como o maior entre as empresas de baixa renda acompanhadas. A ação é negociada a 6,9 vezes o preço sobre lucro estimado para 2027, cerca de 25% abaixo do pico de 9,5 vezes alcançado no início do ano. O banco também estima dividend yield de aproximadamente 8% para 2026.
No grupo de média e alta renda, a Cyrela permanece com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 34,50. Em um cenário de mudança de governo, a ação poderia alcançar 1,7 vez o valor patrimonial por ação, ante cerca de 1 vez atualmente. Outro ponto citado é a venda da torre corporativa Pininfarina por R$ 1,4 bilhão, que poderia permitir uma distribuição de dividendos equivalente a um yield de aproximadamente 11%.
A EZTEC também tem recomendação neutra, principalmente por causa da possibilidade de juros elevados por mais tempo. A empresa teve crescimento de 53% nos lançamentos no primeiro semestre. Nos últimos 30 dias, as ações subiram 19%, acima das altas de 16% da Cyrela e de 8% do Ibovespa. O novo preço-alvo foi estabelecido em R$ 19.
MRV e riscos para o setor
A MRV (MRVE3) é a exceção entre as empresas de baixa renda, com indicação neutra. Embora o negócio principal mostre recuperação, com aumento dos lançamentos e melhora das margens, o JPMorgan projeta novas perdas na Resia, subsidiária de imóveis para locação nos Estados Unidos. A estimativa é de US$ 50 milhões no segundo semestre, aproximadamente R$ 260 milhões.
A operação americana pretende vender terrenos, instalações, equipamentos e participações minoritárias em projetos. Os desinvestimentos previstos somam cerca de US$ 165 milhões. A MRV é negociada a 4,7 vezes o preço sobre lucro estimado para 2027, em linha com a Tenda, mas com desconto de 15% a 30% em relação às empresas comparáveis. Para o banco, a diferença reflete a incerteza sobre os resultados futuros.
A dívida líquida da MRV, considerando também os passivos de cessão de créditos, chegou a R$ 10,6 bilhões no segundo trimestre. O valor corresponde a 2,3 vezes o patrimônio líquido e representa o maior nível do setor.
O JPMorgan também cita fatores que podem prejudicar o desempenho das construtoras de baixa renda, como a pressão inflacionária associada ao petróleo acima de US$ 80 por barril. Uma desaceleração temporária nos repasses de financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal é outro risco mencionado. O banco ainda considera uma greve de funcionários da Caixa, prevista para começar em 10 de setembro, com expectativa de curta duração.
Os preços-alvo foram definidos para dezembro de 2027. Para as ações com recomendação de compra, o potencial estimado varia de 50% a 60%. Entre os papéis classificados como neutros, a expectativa de alta fica entre 40% e 50%.




