A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) começou a convocar sindicatos patronais e associações setoriais para um abaixo-assinado em defesa de uma manifestação do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a crise institucional relacionada ao escândalo do Banco Master.
O rascunho preparado pela entidade afirma que a República enfrenta um teste de integridade inédito e que as crises de Brasília colocam as instituições em risco. A proposta é pedir que os ministros do STF discutam publicamente o problema.
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) também prepara um manifesto e informa ter reunido mais de mil assinaturas de associações e federações comerciais. Sindibrinquedos e Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) estão entre as entidades que já aderiram. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmam que também participarão.
A previsão é divulgar o documento entre os dias 8 e 10. Os organizadores decidiram não fazer a publicação no feriado de 7 de Setembro, para evitar interpretações de uso político da crise durante o período eleitoral.
Estão sendo procuradas entidades dos setores de indústria, comércio, agro, transportes e cooperativas. Alguns possíveis signatários, porém, demonstram preocupação com polêmicas e acusações de partidarização da Fiesp.
Histórico na Fiesp
Em 2022, durante a presidência de Josué Gomes da Silva, a Fiesp enfrentou uma crise interna com uma tentativa de destituição do dirigente. O episódio envolveu acusações de opositores de que ele teria ligação com o PT. Josué é filho de José Alencar, que foi vice-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2010 e morreu em 2011.
O conflito também esteve relacionado a um manifesto que destacava a atuação do Judiciário na defesa da democracia. Paulo Skaf presidiu a Fiesp de 2004 a 2021 e voltou ao cargo em 2026, com atuação em temas além da indústria.
Na última semana, a crise ganhou força após a divulgação de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação de um relatório da Polícia Federal.
Em janeiro, a Fiesp exibiu a bandeira do Brasil na fachada depois da revelação de um contrato de R$ 130 milhões mantido pelo escritório da mulher de Moraes com o Banco Master.



