A operação da Polícia Federal contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), autorizada pelo ministro Flávio Dino, aumentou a tensão entre grupos adversários do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar é apontado como um dos principais aliados do ministro André Mendonça no Legislativo, e a ação foi interpretada por políticos como mais um episódio da disputa em torno do Banco Master.
O temor entre integrantes do Congresso é que a investigação produza vazamentos capazes de atingir deputados e senadores. Parlamentares avaliam que ministros podem adotar medidas contra o Legislativo tanto para confrontar adversários dentro da corte quanto para deslocar a atenção da crise institucional do próprio STF.
A pressão do presidente Lula pela quebra geral do sigilo do caso Master foi atendida parcialmente pelo presidente do tribunal, Edson Fachin. Para lideranças do centrão, a divulgação de informações pode provocar turbulência na eleição nos estados.
Nomes em lista e revelações sobre festas
O receio ganhou força depois que nomes de integrantes da cúpula da Câmara apareceram em um papel encontrado numa churrasqueira da casa do senador Ciro Nogueira, presidente do PP. O documento foi localizado durante uma operação que apurava a relação do senador com o Banco Master. Ao lado dos nomes de parlamentares do centrão e do PL, havia números que somam 100.
Segundo a Polícia Federal, Nogueira e Daniel Vorcaro conversavam e viajavam juntos, e o ex-banqueiro chegou a pagar despesas do senador.
Deputados e senadores também temem ser associados a informações sobre festas promovidas por Vorcaro e aliados. Dados obtidos pela PF tornaram público um evento privado realizado em 2023, no Madame Satã, com 120 mulheres e 20 autoridades e empresários.
Foram citados como convidados Davi Alcolumbre, Rodrigo Pacheco, Dias Toffoli, Ciro Nogueira, Arthur Lira, Alexandre de Moraes e Wesley Batista. Todos negam ter participado, e não há registros da festa.
Reação prevista depois da eleição
Líderes do centrão dizem que uma reação do Congresso só deve ocorrer após a eleição. Deputados e senadores estão em suas bases eleitorais, concentrados na própria reeleição, o que dificulta a articulação do bloco.
A avaliação é que os efeitos da disputa entre ministros e as possíveis consequências para o Congresso devem continuar até o pleito. Integrantes do grupo também acreditam que a disputa presidencial será influenciada pelo resultado do conflito no STF.
O deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA), citado no papel encontrado na casa de Ciro Nogueira, defendeu a criação de uma CPI sobre os vazamentos da PF. Lideranças do centrão afirmam que é necessária uma “pacificação” para conter a crise institucional.
Na avaliação desse grupo, a saída de Toffoli do comando do caso, após a exposição de sua relação com Vorcaro, e as críticas à atuação política de Mendonça podem abrir espaço para pedidos de anulação de processos do Banco Master.



