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Burnout amplia afastamentos e expõe falhas na prevenção à saúde mental

Empresas ainda enfrentam dificuldades para limitar contatos fora do expediente e prevenir riscos psicossociais no trabalho.

Burnout amplia afastamentos e expõe falhas na prevenção à saúde mental

A prevenção à saúde mental ainda não faz parte da rotina de muitas empresas, enquanto os afastamentos relacionados ao burnout aumentaram 296% no Brasil entre 2023 e 2025. Os registros passaram de 1.760 para 6.985 casos, conforme dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Os números consideram trabalhadores afastados por mais de 15 dias. Por isso, o total pode ser maior, já que licenças mais curtas e situações que não foram comunicadas aos empregadores ficam fora desse levantamento.

Empresas sem regras para a desconexão

Um levantamento da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), com empresas que representam 300 mil funcionários, mostrou que 89% das organizações não têm diretrizes para impedir o envio de mensagens fora do horário de trabalho. Além disso, 65% dos participantes disseram não contar com programas de prevenção de riscos à saúde mental.

O cenário inclui conexão constante ao trabalho, pouco tempo de descanso, excesso de estímulos e ambientes disfuncionais. A dificuldade de separar a vida profissional da pessoal também é associada à hiperconectividade provocada por dispositivos digitais. Especialistas citam ainda os efeitos da crise financeira, que pode reduzir equipes e aumentar a insegurança sobre a estabilidade profissional.

Para Aline Wolff, psicóloga do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o descanso passou a ser tratado como mais uma meta, em uma rotina marcada por novas cobranças e informações. Ela afirma que o burnout também se relaciona à perda de sentido, quando a pessoa cumpre tarefas e alcança objetivos sem perceber valor no que faz.

Como o burnout é identificado

O diagnóstico é clínico. Francisco Cortes Fernandes, presidente da Anamt, explica que não existe um teste específico para confirmar o quadro. A avaliação considera as queixas do trabalhador, os sintomas e as condições do ambiente profissional.

“Não existe um teste que indique que a pessoa tem burnout”, disse Fernandes. Entre os sinais estão esgotamento físico, despersonalização e sensação de ineficácia. Também podem aparecer alterações no sono, tristeza e irritabilidade.

O psiquiatra Arthur Guerra afirma que o quadro pode se parecer com outras síndromes de ordem mental. Entre as manifestações citadas estão dificuldade para dormir, incapacidade de dar conta das demandas, pensamentos recorrentes sobre falta de valor e sensação de ineficiência.

Responsabilidade também é do ambiente

Gabriel Okuda, psiquiatra do Hospital Oswaldo Cruz, avalia que o burnout afeta individualmente, mas também revela problemas no local de trabalho. Sobrecarga, equipes insuficientes, cobrança inadequada e falta de autonomia podem atingir outros profissionais, especialmente quando o afastamento de uma pessoa aumenta as tarefas dos colegas.

“O burnout tem a ver com o ambiente de trabalho”, afirma Okuda. Para ele, o cuidado pode envolver acompanhamento psiquiátrico e terapia, mas também mudanças nas condições profissionais, como redução de carga e reestruturação das equipes.

A partir de 26 de maio deste ano, a NR-1 passou a incluir fatores de risco à saúde mental nas regras de segurança e saúde do trabalhador do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A mudança determina que as empresas reconheçam e controlem situações capazes de causar sofrimento psíquico, como assédio, pressão exagerada por metas, jornadas extensas e falhas na comunicação interna.

Medidas individuais e coletivas

Os especialistas apontam que não há uma única solução para prevenir o burnout, por se tratar de um problema multifatorial. Entre as medidas individuais estão a prática de exercício físico, a busca por equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, o estabelecimento de limites para a jornada, sono adequado, lazer, convivência com amigos e familiares, mindfulness e terapia.

Essas iniciativas, porém, não substituem a revisão das condições de trabalho. A avaliação deve considerar carga e duração das jornadas, demandas incompatíveis e ambientes tóxicos ou abusivos. Para Aline Wolff, também é necessário romper com a ideia de que a identidade de uma pessoa depende do quanto ela produz.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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