MAGDEBURG — A Alternativa para a Alemanha (AfD) tenta conquistar uma maioria segura no Parlamento de Saxônia-Anhalt, onde uma vitória nas eleições deste domingo (6) poderia abrir caminho para o primeiro governo de extrema direita no país desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
O principal candidato do partido, Ulrich Siegmund, precisa superar a previsão de 39 cadeiras para conseguir apoio suficiente e assumir o cargo equivalente ao de governador. A cláusula de barreira de 5% influencia a composição da Assembleia: quanto mais partidos entrarem, mais difícil será a formação de uma maioria para a AfD. A polícia alemã prevê protestos e violência de ativistas e grupos extremistas caso o resultado esperado pelo partido não seja alcançado.
Em um comício realizado em um terreno cercado às margens do rio Elba, em Magdeburgo, a campanha adotou elementos de evento musical. Imagens de Siegmund aparecem em materiais que lembram o cartaz da campanha presidencial de Barack Obama em 2008. Outro material o apresenta como o “homem mais perigoso da Alemanha”, em referência a uma capa da revista Der Spiegel.
Programa político
Criada por economistas em 2013, durante a crise do euro, a AfD ganhou espaço com críticas à imigração e a pautas associadas à esquerda, como ambientalismo, transição energética e direitos de minorias. O partido também se beneficiou da reação à política de portas abertas adotada por Angela Merkel em 2015.
Siegmund cresceu dentro da legenda durante a pandemia, quando se tornou conhecido por criticar as restrições impostas pelo governo. Em 2024, ele foi flagrado discutindo reimigração com empresários em uma reunião secreta em Potsdam. Dois anos mais tarde, Alice Weidel, colíder da AfD, usou o mesmo termo em um discurso associado a Elon Musk.
A sigla alcançou a segunda maior bancada no Bundestag, o Parlamento federal alemão. Entre as propostas do partido estão a deportação em massa, a proibição de professores expressarem opinião em sala de aula, a demissão de profissionais de saúde estrangeiros e o fim do imposto de radiodifusão que financia as emissoras públicas.
A AfD também defende a saída do euro e da União Europeia. De acordo com o Instituto de Economia Alemã, apenas essas duas medidas poderiam custar € 690 bilhões (R$ 4,06 trilhões) nos primeiros cinco anos de uma eventual separação, além de 2,5 milhões de postos de trabalho.
A expulsão de imigrantes, ainda conforme as estimativas apresentadas, deixaria a Alemanha sem um quarto dos motoristas de caminhão e dos chefes de cozinha, além de metade dos médicos.
Promessa de romper com o passado
A AfD mantém uma postura mais radical do que a de partidos populistas de outros países europeus, como os liderados por Marine Le Pen, na França, e Giorgia Meloni, na Itália. Enquanto essas políticas buscaram ampliar a aceitação junto ao eleitorado de centro, a legenda alemã reforça seu discurso.
Críticos associam a estratégia da AfD à tentativa de apagar a responsabilidade histórica da Alemanha pelo experimento totalitário que levou à ascensão de Adolf Hitler e do Partido Nazista. O partido apresenta essa ruptura como uma forma de livrar a geração atual do peso do passado, mas o alcance exato da promessa não é definido com clareza.
Parte da opinião pública e diferentes setores da sociedade se mobilizam contra a legenda. Entre os apoiadores, porém, há quem veja na AfD uma alternativa aos partidos tradicionais. Um eletricista de 23 anos que participou do comício afirmou preferir algo novo ao que, na avaliação dele, não funcionou.



