GONGOGI — A mulher resgatada de cárcere privado em Gongogi, no sul da Bahia, já havia entregado dois bilhetes com pedidos de ajuda antes de a polícia tomar conhecimento do caso. A informação foi divulgada pelo delegado Rodrigo Fernando de Souza, da Polícia Civil do município.
Os recados foram entregues pelo filho da vítima na escola onde ele estuda. De acordo com a Prefeitura de Gongogi, a diretora da unidade repassou as mensagens às autoridades policiais. A administração municipal determinou uma apuração interna para identificar quando cada bilhete foi recebido e como as comunicações foram encaminhadas.
A prefeitura afirmou que o caso será tratado com cautela, sigilo e proteção por envolver uma possível vítima de violência e uma criança. As secretarias municipais competentes também informaram que estão disponíveis para colaborar com a polícia e com os órgãos de proteção, além de acompanhar a família.
Nos bilhetes, a mulher relatou que era ameaçada de morte com frequência e que não suportava mais a situação. Em uma das mensagens, escreveu: "vocês pediram para eu esperar ajuda". Segundo a polícia, a frase indica que pedidos anteriores já haviam sido feitos.
A vítima contou que vive com o suspeito desde que tinha 13 anos. Os dois têm filhos de 7 anos e 1 ano. O homem não teve o nome divulgado.
Durante cerca de oito anos de relacionamento, ela relatou ter sofrido ameaças e agressões. A situação teria se agravado recentemente, quando o companheiro passou a impedir que ela saísse de casa e mantivesse contato com familiares. Em outro bilhete, a mulher escreveu: "Ele fala em me matar de facão se eu for embora, diz que corta o meu cabelo".
Prisão
A mulher também desenhou uma pessoa chorando em uma página do caderno do filho. Depois que os policiais souberam dos relatos, passaram a monitorar a residência e observaram que ela não deixava o local.
Na quarta-feira, os militares cumpriram o mandado de prisão contra o suspeito. Ele foi levado para a unidade policial, onde permanece preso.



