GONGOGI — A prisão de um homem de 27 anos foi convertida em preventiva após audiência de custódia realizada na quinta-feira (3), em Gongogi, no sul da Bahia. Ele é suspeito de manter a companheira, de 22, em cárcere privado e de praticar violência doméstica. O nome do investigado não foi divulgado.
A detenção ocorreu na quarta-feira (2), em um distrito da cidade, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. A Polícia Civil informou que os investigadores passaram a monitorar a residência depois de receberem pedidos de socorro encaminhados à escola pelo filho do casal, de 7 anos.
A mulher escreveu bilhetes no caderno da criança e os enviou à unidade de ensino. Nas mensagens, relatou ameaças de morte, agressões e a proibição de deixar a casa ou manter contato com familiares. Em uma das páginas, também desenhou uma pessoa chorando.
“Estou escrevendo para pedir ajuda mais uma vez, porque estou que não aguento mais”, escreveu a mulher em um dos bilhetes. Ela afirmou que as ameaças ocorriam quase todos os dias e mencionou que aguardava uma ajuda que, segundo seu relato, havia sido prometida.
A Polícia Civil informou que constatou que a mulher não saía do imóvel. Em outro bilhete, ela relatou que o companheiro dizia que poderia matá-la com um facão caso fosse embora e que cortaria seu cabelo.
Investigação e encaminhamentos
A corporação afirmou que a vítima relatou viver com o homem desde os 13 anos. Os dois têm dois filhos e, conforme o relato apresentado aos policiais, durante os cerca de oito anos de relacionamento ela teria sofrido ameaças e agressões. A situação teria se agravado recentemente, com as restrições impostas pelo companheiro.
A Prefeitura de Gongogi informou que determinou uma apuração interna na escola para esclarecer quando os bilhetes foram recebidos e como chegaram às autoridades. A administração municipal disse que a diretora repassou as mensagens à polícia.
“Por envolver uma possível vítima de violência e uma criança, o caso exige cautela, sigilo e proteção das pessoas envolvidas”, afirmou a prefeitura.
O suspeito deve ser encaminhado ao Conjunto Penal de Itabuna. A polícia não informou o que ele declarou em depoimento nem se constituiu advogado. O processo tramita em segredo de Justiça, e a prisão preventiva não tem prazo para ser encerrada.



