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Amyr Klink relembra chegada à Bahia após 100 dias remando sozinho

Travessia de 1984 levou o navegador de Lüderitz, na Namíbia, até a Praia da Espera, em Camaçari.

Amyr Klink relembra chegada à Bahia após 100 dias remando sozinho
Foto: Divulgação

Há 42 anos, Amyr Klink chegou à Praia da Espera, em Itacimirim, localidade de Camaçari, depois de cruzar sozinho o Atlântico Sul a remo. A viagem entre Lüderitz, na costa da Namíbia, e o litoral baiano durou 100 dias e nove horas e fez do navegador a primeira pessoa a realizar esse percurso nessa modalidade.

A travessia foi feita em um barco sem motor, com 5,94 metros de comprimento e, no máximo, 1,52 metro de largura. Amyr percorreu cerca de 3.700 milhas náuticas, quase 7 mil quilômetros, usando a força dos próprios braços. A rotina incluía aproximadamente oito horas diárias de remadas, além de preparar refeições, limpar a embarcação, dormir e enfrentar a presença de tubarões, baleias, gaivotas e peixes.

Em 1984, o navegador não contava com GPS. A orientação era feita por meio de um sextante, instrumento usado para calcular a posição da embarcação a partir da observação dos astros. A comunicação com amigos e familiares também dependia de horários combinados para conversas por rádio.

Uma embarcação planejada para a travessia

Amyr participou das etapas de criação e preparação do barco, desenhado para enfrentar as condições do Atlântico Sul. A escolha do ponto de chegada levou em conta as correntes e os ventos. “Eu escolhi esse ponto [o litoral baiano] em função das correntes e ventos. Foi muito legal chegar no ponto escolhido”, lembrou.

A alimentação foi organizada antes da partida, com 150 embalagens para café da manhã, almoço e jantar. Os alimentos eram desidratados e sem sal, para reduzir o peso e o volume transportados.

O oceanógrafo Guilherme Camargo Lessa, do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia, explicou que ventos e correntes ajudaram a conduzir o barco em direção ao Brasil. As remadas, porém, foram decisivas para acelerar o deslocamento. Para Lessa, a viagem também exigia grande capacidade psicológica, além de conhecimento sobre o mar.

Na rota, havia riscos de colisões com objetos à deriva, animais de grande porte e problemas estruturais. O barco precisava suportar as ondas e retornar à posição normal caso virasse. Antes mesmo da partida, a embarcação chegou a ser apreendida no porto de Lüderitz, então sob ocupação da África do Sul. As autoridades locais temiam precisar realizar uma operação de resgate durante a travessia.

A chegada à Praia da Espera

Amyr procurou um local protegido para desembarcar. Como o litoral norte da Bahia tinha poucos abrigos naturais, ele buscava um pequeno porto de pescadores e encontrou a Praia da Espera. O nome do lugar, associado à espera das esposas dos pescadores, ganhou outro significado depois da chegada do navegador.

O empresário baiano Arliton Torres Ferrão estava em Itacimirim naquele dia. Segundo ele, os pescadores inicialmente imaginaram que Amyr voltava de uma pescaria frustrada. Depois de descobrirem que o homem havia atravessado o oceano, ajudaram o navegador, que comeu uma moqueca baiana após passar a viagem com alimentos desidratados.

Em Salvador, a recepção reuniu uma multidão. Amyr lembra que pessoas subiram em andaimes próximos ao Mercado Modelo para acompanhar a chegada. Os registros da viagem deram origem ao livro “Cem Dias Entre Céu e Mar”, publicado depois da expedição.

Travessia foi refeita em 2026

Depois do feito de 1984, a travessia solitária a remo do Atlântico Sul só voltou a ser realizada por outro brasileiro em 2026. Raphael Garcia, de 34 anos, decidiu tentar a viagem após ler o livro de Amyr Klink. Até então, ele nunca havia remado, mas se preparou durante quatro anos, fez aulas, participou de viagens de treinamento e construiu um barco inspirado no modelo usado pelo navegador.

Morador da Nova Zelândia há 10 anos, Garcia partiu da Namíbia em abril de 2026. A viagem durou 136 dias e 40 minutos, com tempestades no início do percurso e períodos de até cinco dias dentro da cabine. Ele remava entre 8h e 12h por dia, consumia comida desidratada, retirava o sal da água do mar e escrevia durante a jornada.

A chegada à Bahia ocorreu em 22 de agosto. Familiares e amigos receberam Garcia na areia ao lado do próprio Amyr Klink.

História chega ao cinema

A travessia também será retratada no filme “100 Dias”, dirigido por Carlos Saldanha. A produção estreia exclusivamente nos cinemas em 29 de outubro de 2026, com Filipe Bragança no papel de Amyr Klink.

Inspirado no livro autobiográfico “Cem Dias Entre Céu e Mar”, o filme vai abordar os desafios da viagem, a solidão em alto-mar e as lembranças e escolhas enfrentadas pelo navegador durante o percurso.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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