BELO HORIZONTE — Manoel Antonio Januario Filho, estudante de medicina da Faculdade Ciências Médicas, foi indiciado pela Polícia Civil de Minas Gerais por estupro e registro não autorizado de intimidade sexual. A conclusão do inquérito ocorreu na terça-feira (15), pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Belo Horizonte.
Uma das mulheres que acusa o estudante relatou que o episódio aconteceu no apartamento dele e afirmou que ainda enfrenta consequências. “Acabou com a minha vida. Eu tinha o sonho de casar, de ter filhos”, disse.
Relato da vítima
Segundo a jovem, ela conheceu Manoel na faculdade depois de mudar de turma e tentar se aproximar dos novos colegas. O estudante teria se apresentado como alguém disposto a ajudá-la na adaptação.
Após um jantar, ele a convidou para ir ao apartamento. No local, ela disse ter percebido que o ambiente não era como esperava e passou a pedir para sair. A jovem afirma que Manoel insistiu para que ela ficasse e começou a tocá-la contra a vontade dela.
Ela também relata que foi impedida de deixar o imóvel. Com medo, afirmou que ameaçou pular da janela: “Ou eu saio daqui ou eu morro aqui.” Conforme o depoimento, a ameaça fez com que o estudante mudasse de comportamento e a levasse para casa. Antes da saída, ele teria dito que tudo havia acontecido por vontade dela.
A jovem afirmou que demorou para entender o que tinha ocorrido e chegou a acreditar que era culpada. Depois do episódio, segundo ela, passou a ter medo de andar sozinha, dificuldade para confiar em outras pessoas e problemas de convivência com colegas que frequentavam a faculdade.
A investigação também aponta que o estudante teria feito fotos e gravações clandestinas de encontros íntimos. O material teria sido compartilhado no grupo de WhatsApp “Calouradazada”, formado por colegas do curso de medicina.
Próximos passos
Com o indiciamento, o caso será encaminhado à Justiça. Caberá ao Judiciário decidir se o suspeito se tornará réu e, nessa hipótese, se será levado a julgamento.
A Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais informou que Manoel foi suspenso das atividades acadêmicas na época dos fatos. Depois, por ordem judicial, o afastamento cautelar foi efetivado e continua em vigor. A instituição disse que seguirá colaborando com as autoridades.
A defesa do estudante afirmou que não comentará o conteúdo da investigação neste momento, citando o sigilo legal e as pessoas envolvidas.



