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Geleiras do Himalaia perdem estabilidade e desafiam sistemas de alerta

O recuo do gelo amplia o risco de avalanches, enchentes repentinas e desastres difíceis de monitorar em áreas de alta montanha.

Geleiras do Himalaia perdem estabilidade e desafiam sistemas de alerta
Foto: Reuters

Milhares de pessoas continuam desaparecidas e são dadas como mortas após o colapso de uma geleira que provocou um fenômeno conhecido como “tsunami de montanha” na semana passada. A falta de sistemas de alerta precoce no Himalaia deixou moradores e turistas expostos às enchentes repentinas.

O episódio ocorreu em um cenário de recuo das geleiras formadas durante a era do gelo. A queima de combustíveis fósseis elevou as temperaturas e reduziu a disponibilidade de neve, contribuindo para a instabilidade de grandes massas de gelo. Quando esses blocos colapsam, podem provocar avalanches de gelo e rocha, bloquear vales fluviais e depois liberar ondas de água.

Transformações nas montanhas

Levan Tielidze, pesquisador em geomorfologia glacial da Universidade Monash, na Austrália, afirma que o Himalaia reúne sistemas dinâmicos em que interagem geleiras, neve, permafrost, encostas rochosas, rios e processos de monção. Com o aquecimento do clima, essas estruturas mudam ao mesmo tempo, fazendo com que os riscos passem de um processo para outro.

A interação entre rochas, gelo e água pode gerar fluxos de detritos capazes de se converter em inundações rio abaixo. Há quase 25 anos, uma geleira caiu sobre outra nas montanhas do Cáucaso. As avalanches de gelo e detritos percorreram mais de 24 quilômetros e mataram cerca de 125 pessoas.

Dados da ONU (Organização das Nações Unidas) indicam que as geleiras das montanhas nepalesas diminuíram um terço em 30 anos. Pesquisas também apontam que a região mais ampla do Hindu Kush-Himalaia pode perder até metade da cobertura glacial até o fim do século, em comparação a 2020, mesmo em um cenário no qual o aquecimento global não ultrapasse 2°C em relação ao período pré-industrial.

Enchentes e dificuldade de previsão

Dipesh Chapagain, cientista sênior do Instituto de Meio Ambiente e Segurança Humana da Universidade das Nações Unidas, estudou centenas de enchentes provocadas pelo rompimento de lagos glaciais, conhecidas pela sigla GLOFs. Esses eventos acontecem quando a água do derretimento de geleiras e da neve forma um lago que depois se rompe. A quantidade desses episódios por década aumentou cinco vezes desde os anos 1950.

O colapso no Nepal e no Tibete teve semelhanças com um GLOF, mas não passou pela formação de um lago. A inundação ocorreu diretamente. A avalanche também produziu atividade sísmica equivalente a uma magnitude de cerca de 5,2. Depois, um fluxo de detritos rico em água percorreu aproximadamente 100 quilômetros pelo sistema fluvial.

Para Tielidze, a previsão exige a combinação de observações por satélite, detecção sísmica, acompanhamento de geleiras e encostas, medição dos rios, previsões meteorológicas e alertas automatizados. Em desastres de evolução rápida, a identificação de movimentos sísmicos pode oferecer às comunidades rio abaixo minutos de aviso.

Monitoramento e adaptação

A avalanche glacial de 2025 que destruiu a cidade de Blatten, na Suíça, resultou em uma morte. O monitoramento da deformação da geleira e do terreno permitiu a retirada da população antes da catástrofe.

A aplicação desse modelo é mais difícil no Hindu Kush-Himalaia, região que abriga mais de 63,7 mil geleiras. Chapagain defende cooperação entre os países, porque os riscos atravessam fronteiras. Segundo ele, a tecnologia e a capacidade de adaptação disponíveis podem não ser suficientes para responder a um desastre da escala do ocorrido.

A ONU alertou nesta quarta-feira (2) que as temperaturas globais devem ultrapassar o limite de 1,5°C nos próximos anos. A organização prevê eventos climáticos mais extremos e maior pressão sobre ecossistemas como as geleiras e as cidades costeiras de baixa altitude.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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