A maturação de milho, colza e trigo de inverno ocorreu mais cedo na Europa em 2026, antecipando colheitas em até 20 dias na comparação com 2000. Dados da Comissão Europeia e relatos de agricultores associam a mudança ao aquecimento climático e às ondas de calor registradas no continente.
O avanço no calendário agrícola acontece porque temperaturas mais altas aceleram o acúmulo de unidades de calor exigidas pelas plantas durante seu desenvolvimento. De acordo com Sébastien Poncelet, analista sênior da Argus, “o desenvolvimento das plantas é determinado, em grande parte, pelo acúmulo de unidades de calor”.
A colheita costuma ocorrer de 10 a 20 dias depois da maturação, mas o intervalo varia conforme a cultura, o país e o ano. Na Baviera, Hermann Greif, presidente distrital do sindicato dos agricultores da Alta Francônia, relatou que o milho, antes colhido em meados de setembro, passou a ser retirado das lavouras no começo do mês.
Greif também afirmou que o trigo, tradicionalmente colhido na segunda semana de agosto, em alguns casos já é colhido nos últimos dias de julho. As ondas de calor na Europa começaram ainda no final de maio de 2026 e contribuíram para acelerar o ciclo das culturas.
Impacto sobre produção e qualidade
A antecipação da maturação não impediu perdas provocadas pela seca e pelo calor extremo. Na França, dados do órgão agrícola FranceAgriMer indicaram que 27% da safra de milho em grão estava em condições boas ou excelentes em 31 de agosto. Foi o menor índice registrado pela entidade desde 2011.
O Ministério da Agricultura da França estimou uma redução de 35% na produção de milho em grão na comparação com o ano passado. Analistas projetaram uma queda de cerca de metade, o que levaria a produção ao menor nível desde 1976.
Segundo Greif, culturas colhidas mais tarde podem enfrentar problemas quando as etapas decisivas do crescimento coincidem com períodos de seca na primavera e no verão. A falta de água nessas fases pode reduzir de forma significativa o rendimento das lavouras.




