O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o principal alvo de manipulações de imagem ou voz entre os conteúdos políticos produzidos com inteligência artificial analisados pelo Observatório IA nas eleições. A imagem ou a voz dele foi alterada de forma pejorativa em 112 publicações.
No total, 81% dos casos identificados envolviam esse tipo de edição, classificada como deepfake. O levantamento foi desenvolvido pela Data Privacy Brasil e pelo Aláfia Lab e considerou publicações feitas nas redes sociais entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026.
Flávio Bolsonaro (PL) apareceu como alvo em 57 manipulações e também liderou, entre os candidatos, a publicação de conteúdos feitos com inteligência artificial sem a sinalização exigida. Ele compartilhou 13 mensagens desse tipo.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) ficou na sequência, com 10 publicações. Romeu Zema, ex-governador e candidato a presidente pelo Novo, publicou cinco. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL) tiveram três publicações cada um.
Dados do levantamento
Foram analisados 413 conteúdos. Desse conjunto, 250, cerca de 60%, foram classificados como sátira com o objetivo de ridicularizar algum político. Outros 163, aproximadamente 40%, foram identificados como desinformação.
Quase dois em cada três conteúdos políticos feitos com inteligência artificial não informaram o uso da tecnologia, prática proibida pela Justiça Eleitoral. A maior parte das mensagens de desinformação ou sem identificação foi publicada por usuários anônimos.
Na divisão por partidos, o PL concentrou 28 publicações consideradas uso indevido de inteligência artificial. O PT teve quatro mensagens, enquanto o PSDB teve duas.
O observatório apontou preocupação com o compartilhamento de conteúdos sem informação sobre o uso da tecnologia, tanto pelas contas que fazem as publicações quanto pelas plataformas digitais. Segundo a entidade, os recursos de rotulagem existem, mas os conteúdos sintéticos podem não estar sendo moderados de forma adequada.
Deepfake é um conteúdo sintético produzido ou manipulado por inteligência artificial ou tecnologia equivalente, com realismo suficiente para reproduzir ou alterar a imagem, a voz ou a manifestação de uma pessoa viva, falecida ou fictícia. O TSE proibiu o uso desse recurso nas eleições quando o material for caracterizado como propaganda eleitoral.



