A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master provocou respostas distintas entre os candidatos à Presidência. As propostas incluem reforma do Judiciário, afastamento de ministros, prisão, quebra de sigilos e até a discussão de uma nova Constituição.
Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas dentro das regras institucionais, sem que suspeitas sejam tratadas como condenações antecipadas. Em cerimônia no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira (4), o presidente também afirmou que a lei deve valer para todos.
Lula voltou a defender mudanças na estrutura da Justiça brasileira ao longo do próximo ano, caso seja reeleito. Ele afirmou que seu governo foi responsável pela reforma do Judiciário aprovada durante seu primeiro mandato e declarou que o tema deve voltar ao centro do debate.
Críticas a Alexandre de Moraes
Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o ministro Alexandre de Moraes não tem condições de continuar no STF e defendeu uma investigação formal contra ele. O senador disse, porém, que mantém uma defesa intransigente do Supremo como instituição. Flávio também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acusando-o de tentar proteger Moraes.
Renan Santos (Missão) declarou que, se for eleito, pretende atuar pelo afastamento de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. O candidato também defendeu que o país comece a discutir uma nova Constituição, sob o argumento de que a institucionalidade brasileira se enfraqueceu.
Augusto Cury (Avante) afirmou que nenhuma autoridade envolvida em suspeitas deve ser poupada. Ele defendeu uma reforma no STF e disse que a crise contribui para a perda de confiança da população nas instituições. Para Cury, pessoas que ocupam cargos públicos devem responder pelas próprias condutas perante a Justiça.
Prisão, renúncia e sigilos
Romeu Zema (Novo) adotou uma posição mais dura contra Moraes e afirmou que os fatos relacionados ao ministro seriam motivo para prisão, e não apenas para um processo de impeachment. O candidato também voltou a criticar a existência de autoridades que, segundo ele, não seriam responsabilizadas por seus atos.
Ronaldo Caiado (PSD) defendeu a renúncia de Moraes e afirmou que a permanência dele no cargo pode ampliar as reações contra o Supremo e ameaçar a ordem democrática. Caiado também propôs mudanças nas regras do Judiciário, incluindo uma idade mínima para ministros da Corte.
O candidato pediu ainda a quebra dos sigilos das investigações dos casos Master, Dark Horse e INSS. Em declaração nesta sexta-feira, citou a iniciativa do ministro André Mendonça de levar informações ao conhecimento público e afirmou que os eleitores deveriam saber quais nomes aparecem nas denúncias antes da eleição de quatro de outubro.



