A necessidade de reorganizar a disputa da direita em Minas marcou as entrevistas de Domingos Sávio (PL) e Marco Antônio Costa, o Superman (Novo), candidatos ao Senado. Os dois defenderam que Romeu Zema, ex-governador de Minas e candidato à Presidência pelo Novo, abandone a corrida e apoie Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno das eleições.
As declarações foram dadas separadamente no programa Minas Presente, nesta quarta-feira (23). Apesar da convergência sobre a candidatura presidencial, os dois apresentaram estratégias diferentes para a eleição ao governo de Minas. Superman declarou apoio a Cleitinho Azevedo, Flávio Roscoe e Mateus Simões em situações distintas, enquanto o Novo apoia oficialmente Mateus Simões (PSD).
Críticas ao Supremo e propostas para Minas
Domingos Sávio e Superman classificaram como autocráticas as decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles também defenderam que o Senado analise pedidos de impeachment de ministros da Corte e criticaram o que chamaram de sequestro do orçamento pelas emendas parlamentares.
Domingos Sávio afirmou que Zema deveria apoiar Flávio Bolsonaro no primeiro turno. O deputado federal, que está no quarto mandato, também defendeu mandato de oito anos para ministros do STF e o fim das decisões monocráticas. Na entrevista, prometeu atuar pelo impeachment de ministros e acusou a Corte de rasgar a Constituição.
Sobre a dívida de Minas, o candidato do PL disse ser contrário a um modelo que obrigue o estado a entregar a Cemig e a Gasmig sem compensação considerada justa. Ele também afirmou que é favorável à privatização da Copasa e cobrou a expansão do saneamento para a maioria dos municípios mineiros até 2033, conforme o Marco Legal do Saneamento Básico.
O candidato disse ainda que pretende destinar mais da metade de suas emendas à saúde e reconheceu a necessidade de ampliar a transparência do modelo atual. Segundo ele, as santas casas do interior dependem de emendas parlamentares para atender ao SUS.
Posicionamentos de Superman
Marco Antônio Costa aparece com 6% na pesquisa consolidada e 7% no segundo voto. Apoiado por Nikolas Ferreira (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos), ele tenta formar uma dobradinha com Domingos Sávio em palanques do interior. A posição provocou incômodo na direção do Novo, segundo a fonte, mas o candidato afirmou ter autonomia para estabelecer alianças.
Superman defendeu a redução de cargos e impostos, uma reforma administrativa e a revogação da reforma tributária. Também se posicionou a favor do fim da escala de trabalho 6×1 e defendeu que o mercado regulamente as relações de trabalho.
Durante a entrevista, afirmou que é preciso “rasgar a CLT” e deu apoio à liberdade do empregador para contratar trabalhadores por hora.
Outro tema abordado foi a declaração feita por Superman em debate na Faculdade Milton Campos, no mês passado, quando disse que “feminicídio não existe”. Ele defendeu mudanças no Código Penal e afirmou que todos os homicídios devem receber punições rigorosas, incluindo prisão perpétua ou pena de morte. Para o candidato, a legislação não deve adotar tipificações identitárias.
Na pesquisa estimulada que soma os dois votos, Domingos Sávio tem 14% e aparece tecnicamente empatado com Aécio Neves (PSDB) e Carlos Viana (PSD). Ao fim das entrevistas, os dois candidatos buscaram se diferenciar na disputa pelas duas vagas ao Senado: Domingos destacou seus 34 anos de vida pública, enquanto Superman apostou na renovação e na reforma do Judiciário.



