MINAS GERAIS — Aécio Neves (PSDB), Domingos Sávio (PL) e Manoel Carvalho (MDB) apresentaram propostas para Minas Gerais durante um debate entre candidatos ao Senado. A discussão abordou geração de trabalho e emprego, a dívida do estado com a União, recursos federais para a saúde, emendas parlamentares, exploração de terras raras e a relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Marília Campos (PT) e Carlos Viana (PSD) foram convidados, mas não participaram. As regras do encontro consideraram candidatos de partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional ou com ao menos 5% de intenções de voto na última pesquisa Quaest ou Datafolha.
Os participantes tiveram 15 minutos de fala, distribuídos ao longo da discussão, com intervenções de até um minuto e 30 segundos. Nas considerações finais, cada candidato teve um minuto.
Trabalho, emprego e dívida estadual
No debate sobre emprego, Domingos Sávio defendeu a redução de impostos e a desoneração da contratação de mão de obra. Também propôs a atualização das faixas do MEI e do Simples Nacional e mudanças no ensino médio para ampliar a qualificação profissional.
Manoel Carvalho associou a criação de vagas à redução da taxa de juros e a um ambiente mais favorável à produção. Ele defendeu investimentos em agricultura, pecuária, qualificação profissional por meio do Sistema S e infraestrutura logística. Também propôs um seguro rural para proteger produtores de perdas provocadas por eventos climáticos extremos.
Aécio Neves falou em medidas tributárias para diminuir o custo da formalização e destacou a necessidade de qualificação profissional relacionada às vocações econômicas de cada região. Ele citou o Poupança Jovem, criado durante sua gestão no governo de Minas, como uma iniciativa de combate à evasão escolar.
Sobre a dívida de Minas Gerais, Aécio considerou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) um avanço, mas avaliou que as condições ainda são insuficientes. Ele propôs ampliar o prazo de pagamento de 30 para 50 anos e reduzir o comprometimento da receita corrente líquida.
Domingos Sávio afirmou que votou a favor do Propag na Câmara, mas criticou a correção monetária e defendeu a criação de um “Propag 2”. Ele sugeriu usar investimentos estaduais em infraestrutura para abater parte do valor devido à União.
Manoel Carvalho disse que o programa permitiu alongar o pagamento em 30 anos e corrigir a dívida pela inflação. Para ele, o estado precisa controlar despesas, reduzir o tamanho da máquina pública e buscar o equilíbrio fiscal.
Saúde e emendas parlamentares
Aécio Neves defendeu uma mudança no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), com aumento gradual da participação da União. Ele afirmou que pretende apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema e mencionou programas voltados a hospitais filantrópicos, assistência farmacêutica e redução da mortalidade infantil.
Domingos Sávio disse que os repasses federais são insuficientes e defendeu a atualização dos recursos destinados aos serviços de média e alta complexidade. Manoel Carvalho propôs fortalecer os consórcios públicos de saúde, ampliar a transparência nas filas e avançar na telemedicina, especialmente no interior. Também afirmou que pretende direcionar mais da metade de suas emendas parlamentares para a área.
Os três candidatos concordaram sobre a necessidade de ampliar a transparência na aplicação dos recursos. Sávio defendeu a manutenção das emendas individuais impositivas, com divulgação da destinação do dinheiro, e criticou as emendas de comissão.
Carvalho defendeu a divulgação de beneficiários, cronogramas, custos, responsáveis e resultados dos projetos. Também propôs a redução gradual do volume de emendas parlamentares e o direcionamento de mais recursos diretamente aos municípios.
Aécio afirmou ter sido relator do projeto que criou as Emendas PIX e disse que o modelo reduziu a burocracia para a transferência de recursos aos municípios. Ele reconheceu a necessidade de ampliar o controle e citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que passaram a exigir mais rastreabilidade.
Terras raras e relação entre os Poderes
Na discussão sobre terras raras, Aécio Neves afirmou que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais e defendeu a industrialização no país, em vez da exportação dos recursos in natura. Ele citou aplicações em baterias de celulares, veículos elétricos e geradores de usinas eólicas.
Manoel Carvalho apontou o potencial do setor mineral para gerar empregos no Norte de Minas e defendeu que o processamento e o beneficiamento sejam realizados em território mineiro, respeitando as normas ambientais. Domingos Sávio mencionou reservas de lítio e nióbio e defendeu o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM) e a industrialização dos minerais.
Sobre os Três Poderes, Sávio criticou a atuação do Senado em relação ao STF e defendeu processos de impeachment para ministros que cometam irregularidades. Manoel Carvalho apoiou mandatos para ministros da Corte, com prazo determinado e sem recondução, além do respeito ao devido processo legal.
Aécio Neves também defendeu mandatos para ministros do STF, com duração de 12 anos, além de idade mínima para futuras indicações e limites para decisões monocráticas. Ele afirmou que o Senado deve exercer seu papel constitucional no julgamento de ministros do Supremo e de outras autoridades.
Nas considerações finais, Aécio disse que decidiu disputar a eleição de 2026 depois de inicialmente planejar concentrar esforços na presidência nacional do PSDB e na construção de um projeto de centro para 2030. Domingos Sávio reafirmou seu posicionamento político e suas prioridades no Congresso. Manoel Carvalho pediu apoio ao eleitorado e destacou sua atuação como zootecnista, vice-prefeito de Muriaé e pequeno produtor rural.



