Salvador, Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Salvador 26°C 25° / 26° Mega-Sena 3059: 1 · 2 · 7 · 18 · 33 · 35
Perto de você
Pernambuco

Feira de Santana preserva memórias enquanto amplia paisagem urbana

No aniversário de 193 anos, a cidade reúne mudanças na população, no território e em espaços ligados à memória local.

Feira de Santana preserva memórias enquanto amplia paisagem urbana

Feira de Santana completa 193 anos nesta quinta-feira (18) marcada por mudanças na população, na ocupação do território e no uso de espaços que fazem parte da história do município. A transformação pode ser percebida na paisagem urbana e nas lembranças de moradores que acompanharam diferentes períodos da cidade.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o município passou de cerca de 406 mil habitantes em 1991 para aproximadamente 616 mil em 2022. O crescimento representa cerca de 210 mil pessoas a mais.

Para o engenheiro civil Allan Pimenta, doutor e pós-doutor em transporte e planejamento urbano, "Feira de Santana mudou de escala e de forma". Na avaliação dele, o aumento populacional veio acompanhado da expansão territorial e de novas formas de distribuir moradias, locais de trabalho, comércio, serviços e transporte.

Espaços que mudaram com a cidade

O Mercado de Arte Popular (MAP) começou sua trajetória no antigo Mercado Municipal, construído no início do século XX para concentrar atividades comerciais. Depois que a feira foi transferida para o Centro de Abastecimento, em 1977, o prédio deixou de cumprir a função original. Em 1980, passou a adotar o nome atual.

Com o passar do tempo, o MAP incorporou artesanato, comércio, gastronomia e manifestações culturais. A permanência de comerciantes antigos também ajudou a consolidar o local como espaço de convivência e memória.

Nacelice Freitas, geógrafa com doutorado em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), defende que a preservação do mercado envolva os próprios moradores, além das atividades ligadas ao turismo.

Outro ponto de destaque é o Feiraguay, consolidado a partir dos anos 1990. O espaço se tornou referência do comércio popular e alterou o movimento de pessoas e de estabelecimentos na região central. Para Allan Pimenta, a história do local evidencia a capacidade de Feira de Santana de aproximar pessoas, mercadorias e oportunidades de negócio.

No centro da cidade, o Paço Municipal permanece como referência arquitetônica. Inaugurado em 1926, o prédio já abrigou a prefeitura, a Câmara Municipal, o Fórum e o Posto de Higiene, além de outras instituições.

O Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), criado em 1995, ocupa o antigo prédio da Escola Normal. O espaço manteve a ligação com a educação e passou a receber atividades de formação artística, apresentações e projetos culturais. Vinculado à Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), também reuniu o Museu Regional e o Seminário de Música.

Memória e ocupação urbana

O Casarão Olhos D’Água atravessou períodos de deterioração e intervenções antes de ser utilizado como espaço cultural. Nacelice Freitas considera o imóvel importante para compreender as narrativas sobre a formação do município. Ela também ressalta que a ideia de o casarão ter sido a primeira casa de Feira de Santana não resume a história da ocupação local, que envolveu outras construções na região central.

Aos 102 anos, Eulália Lopes Araújo guarda lembranças de uma cidade diferente da atual. Ela chegou ao município em 1975 e acompanhou, principalmente na Avenida Getúlio Vargas, a substituição de áreas com casas por uma paisagem com mais prédios, condomínios e asfalto. "A cidade cresceu muito, demais! Com prédios grandes, condomínios, e asfalto que não tinha naquela época", recorda.

Para Allan Pimenta, a expansão territorial não eliminou uma característica associada à formação do município: a relação com o comércio, a circulação e os encontros. A permanência de locais como o MAP, o Paço Municipal, o Cuca e o Casarão Olhos D’Água mostra que a transformação urbana também ocorre pela preservação de referências que ajudam a contar a história de Feira de Santana.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.