FEIRA DE SANTANA — Feira de Santana completa 193 anos no dia 18 de setembro com uma trajetória marcada pelo crescimento populacional, pela circulação de mercadorias e por histórias que atravessam bairros, lagoas e festas. Conhecida como Princesa do Sertão, a cidade é a segunda mais populosa da Bahia, a décima do Nordeste e a 34ª do Brasil.
Elevada à condição de município em 1833, Feira de Santana tinha 51.696 habitantes no primeiro Censo Demográfico do Brasil, realizado em 1872. Na época, era o quinto município mais populoso da Bahia. Em 1970, chegou a 187.290 moradores. Entre 2010 e 2022, a população cresceu 10,7%, alcançando 616.272 pessoas.
População e influência regional
O município é o polo central de uma das dez regiões geográficas intermediárias da Bahia, formada por 83 cidades do Centro-Norte do estado. A região metropolitana reúne 16 municípios, entre eles São Gonçalo dos Campos, Conceição do Jacuípe, Riachão do Jacuípe, Irará e Coração de Maria. Moradores de pelo menos 80 municípios vizinhos procuram Feira para compras e serviços.
A cidade tem 50 bairros. Tomba é o mais populoso, com 54.885 habitantes, seguido por Campo Limpo, com 43.175; Conceição, com 39.832; Mangabeira, com 28.350; e Gabriela, com 22.807.
As mulheres representam 53,4% da população, o equivalente a 329.253 habitantes. Pessoas pardas são maioria, com 330.541 moradores autodeclarados, ou 53,6% da população. Pessoas pretas representam 29,2%; brancas, 16,9%; indígenas, 0,2%; e amarelas, 0,1%.
Em 2022, havia 79.288 pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 12,9% da população. Na Bahia, essa parcela era de 15,2%.
Economia e caminhos
Em 2023, Feira teve o quarto maior Produto Interno Bruto da Bahia, com R$ 21,846 bilhões. Ficou atrás de Salvador, Camaçari e São Francisco do Conde.
O município é cortado por seis rodovias: BR-324, BR-101 e BR-116, na esfera federal; e BA-052, BA-502 e BA-503, na estadual. Por esses caminhos passam produtos do oeste agrícola da Bahia, da fruticultura do norte e de indústrias do Sul e Sudeste.
Apesar do apelido ligado ao sertão, o bioma predominante é a Mata Atlântica, com áreas de Caatinga.
Lagoas, bairros e personagens
Na década de 1960, a Lagoa de São José das Itapororocas, no distrito de Maria Quitéria, recebeu areia branca, coqueiros e quiosques durante a gestão do prefeito Joselito Falcão de Amorim. O espaço ficou conhecido como Praia de São José e recebeu banhistas nos fins de semana. A experiência durou poucos anos, diante de acidentes, dificuldades de acesso, desaparecimento da areia e do processo de secamento da lagoa.
Os nomes das ruas também registram referências diversas. No Cidade Nova, homenageiam jogadores da Seleção Brasileira tricampeã mundial em 1970, como Pelé, Rivelino e Jairzinho. No Gabriela, há referências a novelas como “Rei do Gado”, “Laços de Família” e “Torre de Babel”. No George Américo, aparecem nomes ligados a aeronaves e espaçonaves; na Queimadinha, a inspiração veio dos estados brasileiros.
Maria Quitéria de Jesus Medeiros, personagem da Independência do Brasil na Bahia, nasceu na antiga Fazenda Serra da Agulha, na região do atual distrito que leva seu nome. A militar também é lembrada em uma escola, uma avenida, no Paço Municipal, em uma igreja histórica e em um memorial.
Festas e memórias
A Micareta de Feira de Santana ganhou força depois de uma chuva que impediu o carnaval de 1937. A festa foi transferida para depois da Quaresma, em uma proposta atribuída a Maneca Ferreira, responsável pela organização de carros alegóricos. A celebração tem mais de 80 anos de tradição.
Outro símbolo é o Feiraguay, centro de comércio popular ligado historicamente à venda de mercadorias vindas do Paraguai. A trajetória dos comerciantes que construíram suas vidas no local virou documentário.
Entre as histórias associadas à cidade está a das “Cegonhas da Noite”, quatro mulheres que teriam intermediado, entre as décadas de 1980 e 2000, a entrega clandestina de recém-nascidos para adoção. Relatos apontam que mais de 2 mil crianças podem ter passado pelo esquema, mas não há números oficiais que comprovem a estimativa.
A Lagoa Grande, às margens da Avenida Eduardo Fróes da Motta, o Anel de Contorno, integra um complexo de esporte, lazer e convivência. O espelho d’água tem cerca de dois quilômetros de margem, e o entorno conta com uma pista de caminhada e ciclismo de 2,3 quilômetros, além de campo de futebol, quadras, quiosques e estacionamento.



