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CPI americano acelera no núcleo e aumenta chance de juros maiores em setembro

Alta de serviços, veículos e habitação reforça a expectativa de uma postura mais dura do Federal Reserve.

CPI americano acelera no núcleo e aumenta chance de juros maiores em setembro

A pressão sobre o dólar, os títulos do Tesouro americano e os ativos de risco pode aumentar após a divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos. O CPI de agosto registrou alta de 0,4%, enquanto o núcleo avançou 0,3%, acima do consenso do mercado. O resultado elevou a possibilidade de uma alta de juros pelo Federal Reserve na próxima reunião.

A reunião do banco central americano está marcada para 15 e 16 de setembro. Para economistas, os dados recentes fortalecem a ala mais hawkish do comitê e indicam que a desinflação perdeu ritmo. A expectativa é de que os juros permaneçam elevados por mais tempo.

Serviços e habitação concentram pressão

A economista Andressa Durão, do ASA, afirmou que a surpresa no núcleo foi impulsionada principalmente pelos serviços. Hospedagens e passagens aéreas ficaram acima do esperado, enquanto serviços médicos e aluguéis registraram altas menores. Entre os bens, veículos novos e usados também surpreenderam para cima, mas outros itens compensaram parte da pressão.

Na média trimestral anualizada, a inflação cheia acelerou de 1,6% para 2,0%. Com isso, casas de análise passaram a estimar uma variação do Core PCE, indicador acompanhado com atenção pelo Fed, mais próxima de 0,3% do que de 0,2% em agosto.

Andressa Durão avalia que os dados podem influenciar membros indecisos do comitê. A economista espera duas altas consecutivas de 25bps.

André Valério, economista sênior do Inter, relacionou a aceleração do núcleo ao comportamento dos veículos e da habitação, que avançou para 0,3% após dois meses de inflação fraca. A energia também acelerou para 2,1%, em meio à alta do petróleo, que ficou acima de US$ 100.

Divisão no comitê

Valério afirmou que a probabilidade de uma alta em setembro aumentou consideravelmente porque o núcleo ficou acima do nível considerado confortável pelo Fed. Christopher Waller havia indicado que poderia manter os juros inalterados caso o núcleo ficasse abaixo de 0,3%. Kevin Warsh, por sua vez, sinalizara apoio a uma elevação se PPI e CPI viessem mais fortes.

Na avaliação de Valério, o comitê já dividido pode formar maioria por juros maiores em setembro. Três membros haviam votado por uma alta na reunião anterior. O economista prevê um ciclo curto, com a devolução dos 75 pontos-base de cortes realizados entre setembro e dezembro do ano passado, e projeta três altas de 25bps até o fim do ano.

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, disse que o resultado reforça a lentidão do processo de desinflação nos Estados Unidos, ainda distante da meta de 2%. Ele também citou a criação de 162 mil vagas no payroll de agosto como fator que vinha elevando as apostas em uma alta do Fed.

Efeitos esperados nos mercados

Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirmou que o petróleo passou a transmitir mais pressão para o núcleo da inflação americana. “Para o mercado, isso tende a pressionar os Treasuries, sustentar o dólar e aumentar a volatilidade dos ativos de risco”, disse.

Segundo Mendes, juros americanos mais altos e dólar fortalecido podem pressionar o câmbio e as expectativas de inflação no Brasil, reduzindo o espaço para um ciclo mais acelerado de cortes da Selic. O Itaú também avaliou que o CPI de agosto reforça um cenário mais hawkish para o Fed e é compatível com uma alta na próxima reunião.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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