O Ministério da Defesa deverá ter o sexto maior orçamento federal em 2027, conforme a proposta orçamentária encaminhada ao Congresso Nacional. A pasta terá cerca de R$ 148 bilhões previstos para o próximo ano, incluindo despesas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
Do total, R$ 108 bilhões serão destinados a pessoal e encargos sociais, abrangendo militares da ativa, inativos e pensionistas. Outros R$ 21,7 bilhões estão previstos para despesas correntes, enquanto R$ 12,7 bilhões serão aplicados em investimentos, o equivalente a cerca de 8,6%. Também há previsão de gastos com juros e amortização da dívida.
Dados do Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União, apontam cerca de 365 mil militares ativos, 268 mil pensionistas, 91 mil militares reformados, 23 mil aposentados e 81 mil reservistas.
A previsão para a Defesa supera, individualmente, os orçamentos de ministérios como Justiça e Segurança Pública, com R$ 27,5 bilhões; Transportes, com R$ 19,4 bilhões; Ciência e Tecnologia, com R$ 15,9 bilhões; e Cidades, com R$ 15,7 bilhões.
Projetos de defesa
No novo Programa de Aceleração do Crescimento, o Ministério da Defesa relacionou 16 projetos, com R$ 10,2 bilhões previstos em 2027. Entre eles estão o programa nuclear da Marinha, a construção de fragatas, submarinos convencionais, navios-patrulha, veículos blindados, sistemas de monitoramento e aeronaves.
O Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica, em Iperó (SP), deverá receber R$ 1,4 bilhão. A iniciativa é um protótipo em terra da planta de propulsão nuclear do futuro submarino brasileiro. Para a continuidade das atividades do submarino nuclear, estão previstos cerca de R$ 400 milhões. O projeto tem orçamento total de R$ 22,6 bilhões, dos quais R$ 5,8 bilhões haviam sido gastos até maio deste ano, e conclusão prevista para 2037.
O programa Fragatas Classe Tamandaré terá R$ 900 milhões para a construção de quatro embarcações até 2030. Já os navios-patrulha de 500 toneladas receberão R$ 115 milhões, com previsão de entrega de 12 unidades.
Para o Exército, a produção de viaturas blindadas Guarani contará com R$ 1 bilhão, com previsão de entrega de 116 unidades em 2027. O projeto inclui mísseis de longo alcance, foguetes guiados de precisão e equipamentos de manutenção. O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras poderá receber R$ 467 milhões, enquanto a implantação do Sistema de Aviação do Exército terá R$ 520 milhões.
Na Força Aérea Brasileira, o projeto FX-2 terá R$ 2,81 bilhões para a compra de caças Gripen da Suécia. Foram entregues 12 aeronaves, e outras quatro estão previstas para 2027. O projeto KC-390 terá R$ 572 milhões, com previsão de entrega de mais uma aeronave. A modernização da Defesa Aeroespacial contará com R$ 338 milhões.
Operações e prioridades do governo
A proposta também reserva R$ 262 milhões para a Operação Acolhida, voltada ao atendimento humanitário de imigrantes venezuelanos. Cerca de 10 mil militares já foram empregados na operação, que atende, em média, 500 pessoas por dia.
Outros R$ 204 milhões serão destinados a ações emergenciais em terras indígenas, com atividades de monitoramento, inteligência, apoio logístico e manutenção de equipamentos.
Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido a ampliação dos gastos em defesa diante das tensões internacionais. Em junho, afirmou que “está cheio de maluco no mundo” e disse não querer que o país fosse pego de surpresa. Em julho, declarou que as Forças Armadas precisam estar preparadas.
Em agosto, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que o Brasil não teria condições de enfrentar militarmente os Estados Unidos em um eventual cenário de invasão. A pasta informa que sua função é coordenar o esforço integrado de defesa e preparar o emprego conjunto da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.



