A entrada maior de fintechs, varejistas e instituições financeiras deve ampliar o mercado de carteiras de clientes inadimplentes. A Recovery, empresa do grupo Itaú que compra e cobra esses créditos, estima que o volume negociado chegue a 40 bilhões de reais em 2026.
Nos primeiros seis meses deste ano, foram movimentados 17 bilhões de reais. Para atingir a projeção, cerca de 23 bilhões de reais ainda precisariam ser cedidos no segundo semestre. O resultado esperado supera os 34 bilhões de reais negociados em 2025, ano que registrou alta de 21,4% sobre 2024.
Mais empresas no mercado
Entre janeiro e junho, 30 empresas venderam carteiras inadimplentes, ante 26 no mesmo período de 2025. A participação das fintechs passou de oito para dez empresas. No varejo, o número subiu de quatro para sete. Indústria, agronegócio e setor imobiliário também começaram a participar, ainda com presença menor.
A venda permite que a empresa receba dinheiro à vista, mesmo com desconto sobre o valor originalmente devido. A compradora assume a cobrança e o risco de tentar recuperar os créditos. Com juros elevados e maior seletividade dos bancos, essa operação passou a ser usada também como alternativa para liberar caixa.
A Recovery espera que mais instituições recorram à cessão de créditos que antes eram cobrados internamente. Desde 2025, o setor financeiro também convive com novas regras do Banco Central para reconhecer perdas esperadas com crédito. A transição ainda produz efeitos sobre o capital das instituições em 2026.
Inadimplência sustenta demanda
Em agosto, 73,71 milhões de consumidores estavam inadimplentes, o equivalente a 43,9% da população adulta, conforme dados da CNDL e do SPC Brasil. O total recuou em relação a julho, mas a quantidade de dívidas atrasadas cresceu 10,28% em doze meses. Os bancos respondiam por 65,8% dos débitos registrados.
A Recovery administra mais de 144 bilhões de reais em créditos inadimplidos e tem mais de 33 milhões de pessoas com dívidas ativas na base. Em geral, a empresa compra créditos que já ultrapassaram o estágio em que bancos e varejistas consideram eficiente manter estruturas próprias de cobrança.
Para o comprador, a operação depende de adquirir a dívida por um valor baixo o bastante para permitir lucro com a recuperação de parte dos créditos. Quanto menor a capacidade de pagamento do consumidor, maior tende a ser o desconto exigido.



