A queda nas vendas de móveis, eletrodomésticos e vestuário ajudou a puxar o desempenho do comércio varejista para baixo em julho. O varejo restrito recuou 0,8% no mês, enquanto as atividades mais dependentes de crédito registraram baixa de 0,5% na margem.
O resultado ocorreu mesmo com recuo na inflação de alimentos, expansão do crédito na margem e crescimento da massa de rendimentos. Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o desempenho indica que o endividamento acumulado pelas famílias continua limitando o consumo.
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No varejo restrito, móveis e eletrodomésticos tiveram queda de 4,9%, e o segmento de vestuário recuou 3,2%. Os setores sensíveis à renda registraram baixa de 0,2%. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que o custo do parcelamento ajuda a explicar a retração nas vendas.
As atividades ligadas ao crédito deixaram um carrego negativo de 1,0% para o terceiro trimestre, segundo Alexandre Maluf, economista da XP. Já os segmentos sensíveis à renda apresentaram carrego de -0,1% no mesmo período. “A diferença entre os dois grupos é consistente com os efeitos defasados da política monetária contracionista sobre o crédito”, afirmou Maluf.
O varejo ampliado avançou 0,4%, com alta de 0,7% em material de construção e de 0,3% em veículos. A avaliação dos economistas é que esses resultados não compensaram as perdas acumuladas após as quedas de junho. O setor de supermercados recuou 0,2%.
Projeções para a atividade
A XP e o Inter estimam retração de 0,2% no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em julho. A XP calcula impacto negativo de 0,6% do varejo restrito sobre o terceiro trimestre e projeta o tracking do Produto Interno Bruto (PIB) do período em -0,02%.
O Bradesco prevê alta de 0,4% para o consumo das famílias no trimestre, enquanto o ASA estima crescimento de 0,2% no PIB trimestral. Para André Valério, economista sênior do banco Inter, o resultado reforça sinais de enfraquecimento da demanda.
A retração também é considerada nas expectativas para a decisão do Comitê de Política Econômica (Copom) sobre a taxa básica de juros. A taxa está em 14%, e a projeção citada para a Selic terminal é de 13,5% em 2026.




