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T36 entra na lista nominal de canetas de tirzepatida barradas pela Anvisa

Produto fabricado no Paraguai era vendido no Brasil como alternativa ao Mounjaro, mas não tinha menção nominal em resoluções anteriores.

T36 entra na lista nominal de canetas de tirzepatida barradas pela Anvisa

A caneta emagrecedora T36 passou a ser citada nominalmente entre os produtos proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A decisão, publicada nesta quarta-feira (16), impede a importação, o armazenamento, a distribuição, a comercialização, a propaganda e o uso do produto no Brasil.

Fabricada pelo laboratório paraguaio Catedral, a T36 vinha sendo comercializada clandestinamente como alternativa à tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly. Até o momento, o Mounjaro é o único medicamento baseado nessa substância autorizado a circular regularmente no país.

Inclusão entre os produtos proibidos

Antes da decisão, a T36 não aparecia nominalmente nas resoluções da Anvisa que já haviam barrado a entrada de outras canetas emagrecedoras produzidas no Paraguai. Essa ausência permitia a aquisição individual por consumidores brasileiros.

Com o novo ato, a T36 foi incluída na relação de tirzepatidas paraguaias proibidas no país. A lista também reúne TG, Lipoless, Lipoland, Gluconex, Tirzec e Tirzedral, esta última igualmente fabricada pela Catedral e já vetada pela Anvisa.

No Paraguai, a T36 recebeu autorização de comercialização da Direção Nacional de Vigilância Sanitária (Dinavisa) em junho deste ano, com validade até abril de 2031. O registro descreve frascos multidose de 2,4 mL, com concentrações de 2,5 mg a 15 mg. O produto é indicado, segundo os dados paraguaios, para diabetes tipo 2 e controle de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades.

Análises e falta de referências

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) analisaram amostras apreendidas de tirzepatida paraguaia, incluindo lotes de Tirzedral. Os testes usaram cromatografia líquida, espectrometria de massas e dicroísmo circular e identificaram a mesma molécula ativa presente no Mounjaro.

A detecção do princípio ativo, porém, não comprova que as versões paraguaias sejam idênticas ao medicamento de referência. As análises não avaliaram a eventual presença de impurezas ou contaminantes, nem a eficácia e a segurança biológica dos produtos.

A Anvisa informa que a equivalência terapêutica depende de avaliações sobre absorção e reação no organismo, além de critérios como boas práticas de fabricação, estabilidade química, transporte e armazenamento sob refrigeração.

A bula da T36 registrada no Paraguai também apresenta referências incompletas. O documento menciona um estudo de carcinogenicidade de 2 anos com ratos machos e fêmeas, que teria identificado incidência elevada de tumores de células C na tireoide em todas as dosagens. Não são informados os responsáveis pela pesquisa, a instituição envolvida, a existência de protocolo ou eventual publicação dos resultados.

A documentação ainda cita estudos sobre a interação da tirzepatida com anticoncepcionais orais e sobre o efeito do paracetamol na desaceleração do esvaziamento gástrico, mas não apresenta bibliografia ou fonte primária. Sem rastreabilidade, não é possível verificar se os dados correspondem à formulação da T36 ou a pesquisas feitas com outros produtos.

Cooperação na fiscalização

O registro concedido pela Dinavisa não autoriza, por si só, a entrada ou o uso do produto no Brasil. Para isso, é necessário passar pelo processo de homologação da Anvisa.

Anvisa e Dinavisa assinaram um termo de cooperação em 20 de agosto para combater produtos clandestinos e compartilhar informações. O acordo substituiu um memorando firmado em março de 2024 e tem vigência de cinco anos, com intercâmbio de dados sobre certificações de boas práticas de fabricação, ensaios clínicos, alertas de vigilância e apreensões de mercadorias ilegais.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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