SALVADOR — O Ministério da Saúde informou que não compra, não custeia nem distribui kits de higiene íntima para o SUS. O produto mostrado em um vídeo que viralizou nas redes sociais é oferecido pela rede municipal de Salvador, no ambulatório especializado em saúde LGBT+ da cidade.
As imagens foram gravadas em um estande da Secretaria Municipal da Saúde durante o XX Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana (CBSH), realizado entre os dias 2 e 4 de setembro de 2026, no Centro de Convenções de Salvador. A publicação foi feita pela enfermeira e sexóloga Maiara Teixeira. No vídeo, Paloma Xavier, gestora do Multicentro de Saúde Carlos Gomes e do ambulatório, apresenta o higienizador íntimo.
A ducha já era disponibilizada pelo ambulatório antes da repercussão do vídeo. O item também aparecia em uma lista de serviços divulgada pela prefeitura na inauguração da unidade, em 2023. Entre as ações anunciadas estavam a oferta de PrEP, o acompanhamento de pessoas trans e travestis, a atenção à saúde mental e medidas de prevenção e diagnóstico.
O que diz o Ministério da Saúde
A pasta afirmou que estados e municípios têm autonomia para definir ações no âmbito da gestão local do SUS. Também informou que suas políticas são orientadas por evidências científicas e voltadas à atenção integral à saúde.
O Ministério da Saúde coordena políticas nacionais, enquanto estados e municípios participam da gestão compartilhada do sistema e podem formular e executar políticas locais. A Secretaria Municipal da Saúde de Salvador foi procurada para informar detalhes sobre a compra, o custeio e os critérios de distribuição, mas não havia respondido até a última atualização.
Para que serve a ducha
A ducha anal é usada para retirar resíduos de fezes do canal anal antes do sexo anal. Lucas Rocher, médico infectologista do Centro de Referência e Treinamento IST/Aids do Estado de São Paulo, explica que a prática é comum entre pessoas que fazem sexo anal receptivo e pode trazer conforto para quem opta por esse preparo.
“O objetivo da ducha é deixar o canal anal mais limpo e reduzir eventuais resquícios de fezes”, afirma o infectologista.
O procedimento não funciona como barreira contra infecções sexualmente transmissíveis e não substitui preservativos nem a PrEP. A oferta do item também busca evitar que sejam usados objetos ou métodos inadequados, que podem provocar lesões na região. Para Paloma, o objetivo é garantir que seja utilizado um recurso apropriado, já que práticas inadequadas podem agredir mais do que higienizar.

