O Sistema Único de Saúde (SUS) vai oferecer uma cirurgia capaz de tratar catarata e glaucoma na mesma intervenção. O Ministério da Saúde publicou a incorporação em uma portaria no Diário Oficial da União na última quinta-feira (17) e terá até 180 dias para colocar o procedimento em funcionamento na rede pública.
A indicação vale para pacientes com catarata e glaucoma primário de ângulo aberto em estágio inicial ou moderado, desde que a doença esteja controlada com colírios.
A catarata causa a perda de transparência do cristalino, a lente natural do olho, e dificulta a passagem da luz. No procedimento, o cristalino comprometido é retirado e substituído por uma lente artificial. O glaucoma, por sua vez, danifica progressivamente o nervo óptico e pode provocar perda permanente da visão quando não é tratado.
O glaucoma primário de ângulo aberto responde por cerca de 60% dos diagnósticos no país, segundo a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Embora a via de drenagem permaneça aberta, o escoamento do líquido do olho fica prejudicado, o que pode elevar a pressão intraocular.
Para esses casos, o SUS já oferece o iStent, um implante de drenagem oftalmológico. A nova abordagem permite tratar o glaucoma durante a cirurgia de catarata, por meio de duas técnicas: a goniotomia excisional, que remove parte do tecido que dificulta a drenagem, e a trabeculotomia transluminal, que amplia a passagem no canal natural de drenagem com um microcateter ou fio cirúrgico.
Como será o procedimento
As técnicas serão realizadas junto com a facoemulsificação, método em que o cristalino opaco é fragmentado, retirado por uma microabertura e substituído por uma lente intraocular. A escolha depende da anatomia do olho, do perfil do glaucoma, da pressão desejada e da avaliação do cirurgião, afirma Álvaro Dantas, diretor médico do Hospital Ícone da Visão.
Segundo o Ministério da Saúde, a cirurgia combinada é menos invasiva, pode acelerar a recuperação, reduzir o risco de complicações e melhorar o controle da pressão intraocular. Dantas afirma que o procedimento também pode reduzir a dependência de colírios, mas ressalta que o acompanhamento médico continuará necessário.
A Conitec estima que a goniotomia excisional gere economia de aproximadamente R$ 18 mil por ano de vida saudável ganho, em comparação com o iStent. A redução de custos projetada é de R$ 22,4 milhões no primeiro ano de adoção.


