GOIÁS — O uso de câmeras corporais por policiais é defendido por entidades ligadas aos direitos humanos e por segmentos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO). No estado, uma decisão judicial chegou a determinar a implantação do monitoramento em agentes que atuam em Anápolis, mas a medida foi reformada pelo Tribunal de Justiça de Goiás após pedido da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
O tema voltou ao centro do debate eleitoral depois que Wilder Morais (PL) declarou, nesta terça-feira (15), ser contra a instalação dos equipamentos nas fardas. O candidato ao governo de Goiás afirmou que confia nos policiais e considera desnecessário o uso das câmeras.
“Eu confio no policial e por esse motivo acho desnecessário o uso de câmera corporal”, disse Wilder ao fazer as considerações finais de uma sabatina da TV Anhanguera. Na mesma declaração, ele afirmou que é preciso oferecer condições de trabalho e credibilidade aos agentes e que a segurança em Goiás precisa ser retomada e ampliada.
A posição foi reiterada em uma nota divulgada pela assessoria do candidato do PL. Um dia antes, durante sabatina na Rádio Sucesso, Wilder havia afirmado que poderia conversar com o comando da Polícia Militar sobre o videomonitoramento das ações policiais.
Na ocasião, ele disse que, a partir dos 100 dias de um eventual governo, consultaria a corregedoria e os policiais. Também afirmou que seguiria o entendimento da corporação, tanto pela adoção quanto pela não utilização das câmeras.
Decisão judicial e letalidade policial
Em 2023, a Justiça determinou que policiais de Anápolis passassem a usar a ferramenta para coibir a violência dos agentes de segurança. A decisão também previa que o Estado apresentasse um plano para levar o videomonitoramento a outras cidades. Posteriormente, o Tribunal de Justiça de Goiás reformou a determinação.
Goiás registrou 611 mortes decorrentes de intervenção policial em 2021, número que caiu para 362 no ano passado. A taxa estadual é de 4,9 mortes por intervenção policial a cada 100 mil habitantes, acima da média nacional de 2,9 por 100 mil habitantes. O estado ocupa a 5ª posição no ranking nacional de maior letalidade policial proporcional.



