A falta de informações consolidadas sobre o número de pacientes que aguardam exames, consultas especializadas e cirurgias eletivas é um dos principais desafios da saúde pública em Minas Gerais. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informa que a organização das filas cabe aos municípios, enquanto a pasta atua no apoio técnico, na coordenação e no planejamento das políticas públicas.
Os planos de governo dos candidatos ao Palácio Tiradentes apresentam propostas diferentes para reduzir a espera e diminuir a necessidade de deslocamento de pacientes do interior para a capital. Entre as medidas estão a ampliação da atenção primária, o uso de telessaúde, a criação de hospitais regionais e a divulgação de dados sobre o tempo de espera.
Alexandre Kalil (PDT) defende o planejamento regional, a reorganização dos Centros Estaduais de Atenção Especializada e parcerias com hospitais filantrópicos e universitários. O plano prevê linhas regionais para consultas, exames e procedimentos de maior demanda, com acompanhamento de filas, tempo de espera e capacidade instalada. Também propõe ampliar a telessaúde e fortalecer o Tratamento Fora de Domicílio, considerando transporte e necessidade de acompanhante.
Ben Mendes (Missão) propõe que os pacientes sejam acompanhados pela atenção primária antes do acesso a serviços especializados. O candidato também defende telemedicina, análise das solicitações de internação por especialistas e criação de polos de especialidades. Entre as metas estão a otimização da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais e a construção de hospitais regionais no Norte do estado e no Jequitinhonha.
Cleitinho Azevedo (Republicanos) sugere uma tabela mineira de procedimentos estratégicos para complementar o financiamento federal de exames, consultas e cirurgias eletivas. O plano também prevê apoio aos municípios para construir, ampliar e modernizar Unidades Básicas de Saúde, além de protocolos clínicos atualizados, exames rápidos e expansão da telessaúde.
Flávio Roscoe (PL) propõe divulgar, por macrorregião, o tempo médio de espera por cirurgias eletivas e exames. Ele também defende ampliar a atenção primária no Norte de Minas, no Jequitinhonha e no Vale do Mucuri e criar um painel público, acessível por aplicativo, com a fila de cirurgias eletivas por hospital em tempo real.
Gabriel (MDB) apresenta a realização de forças-tarefa regionais para reduzir filas de procedimentos especializados e de média complexidade. A proposta inclui mais transparência, investimentos em atenção primária, uso da telemedicina e fortalecimento da regionalização e dos consórcios de saúde, antes da criação de novas estruturas físicas.
Henrique Áreas (PCO) defende mais verbas para a saúde pública, sem limite de gastos, e um plano de emergência para construir hospitais e postos de saúde. Também propõe o programa Mais Médicos, a validação imediata dos diplomas de médicos estrangeiros residentes no país e a abertura de cursos de medicina sem vestibular nas universidades públicas.
Indira Xavier (UP) propõe investimentos no Sistema Único de Saúde e o fortalecimento da atenção primária com apoio técnico e recursos estaduais. O plano defende atendimento em todo o estado, incluindo povos indígenas e comunidades quilombolas de áreas rurais e urbanas.
Mateus Simões (PSD), governador e candidato à reeleição, reconhece a desigualdade regional no acesso à atenção especializada, a dificuldade de fixação de profissionais no interior e a demanda represada por procedimentos eletivos. O plano fala em reduzir o tempo de espera por cirurgias e exames, mas não detalha como. Também prevê fortalecer a atenção primária, a telessaúde e o diagnóstico remoto.
Patrus Ananias (PT) propõe ampliar a cobertura da Saúde da Família e integrar a atenção básica à saúde mental, à assistência farmacêutica e às redes especializadas. O candidato defende investimentos em hospitais regionais e consórcios intermunicipais, além da reestruturação da Fhemig e da ampliação de sua atuação no interior.
O plano de Patrus também prevê aprimorar a Central de Operações para Regulação Estadual, com regulação regionalizada, integrada e transparente. A proposta inclui critérios públicos de prioridade, informações atualizadas sobre filas e disponibilidade de leitos e maior participação dos municípios e dos serviços de saúde.
Rafael Duda (PSTU) defende melhorias na estrutura da Fhemig, contratação de profissionais por concurso público e ampliação das unidades de urgência e emergência. O plano também propõe políticas para doenças crônicas e para a saúde de idosos, conselhos populares e expansão da rede física do SUS.
Túlio Lopes (PCB) propõe ampliar a atenção básica, fortalecer a Saúde da Família e formar agentes comunitários. Ele defende reorganizar as regionais de saúde conforme o fluxo real da população, oferecer transporte intermunicipal gratuito e ampliar a capacidade de diagnóstico nos hospitais regionais. O plano ainda prevê um programa estadual de tecnologia em saúde e o fortalecimento dos conselhos de saúde na definição de prioridades e do orçamento.



