Integrantes do Partido Liberal (PL) na Bahia discutem lançar João Roma ao Governo do Estado, a 24 dias das eleições. A possibilidade ganhou força nesta quinta-feira, 10/09/2026, diante do receio de que a repercussão política da crise envolvendo o Banco Master prejudique a estratégia eleitoral da legenda e seu discurso de combate à corrupção.
A avaliação é atribuída a parlamentares do partido, que veem a candidatura de ACM Neto como um risco adicional para o desempenho do PL na disputa por vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa da Bahia. A preocupação é que controvérsias associadas a aliados produzam efeitos sobre os candidatos da legenda na reta final da campanha.
Divergências na disputa presidencial
Um parlamentar com assento na executiva nacional do PL apontou dois problemas simultâneos: a falta de apoio explícito de ACM Neto a Flávio Bolsonaro e a repercussão da crise do Banco Master. Na avaliação dele, Neto estaria mais próximo da candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, enquanto o PL pretende oferecer na Bahia um palanque para Flávio Bolsonaro.
“Dessa forma vamos perder duas vezes”, afirmou o parlamentar.
Segundo a avaliação apresentada internamente, a divergência sobre a disputa presidencial, somada à crise envolvendo o Master, pode prejudicar candidatos identificados com o bolsonarismo no estado. Uma candidatura própria de João Roma seria uma forma de diferenciar o PL da candidatura apoiada atualmente e estabelecer uma campanha com identidade partidária própria.
Efeito sobre as chapas proporcionais
O debate também considera que uma candidatura ao governo poderia servir de referência para os candidatos do PL ao Legislativo. A legenda avalia que uma campanha centrada em João Roma e Flávio Bolsonaro ajudaria a mobilizar eleitores identificados diretamente com o partido.
A hipótese de lançar Roma, porém, já era defendida por setores bolsonaristas do PL baiano desde o início de 2026. Esses grupos sustentam que uma chapa ligada diretamente à legenda daria a Flávio Bolsonaro um palanque próprio na Bahia e poderia estimular o voto partidário nas eleições proporcionais.
O cenário presidencial mencionado pelos integrantes do partido inclui Luiz Inácio Lula da Silva com elevado índice de intenção de voto na Bahia, conforme a Pesquisa Opnus (BA-04472/2026). Na visão dos defensores da candidatura própria, a disputa pelo governo também poderia ampliar a exposição e a mobilização dos nomes do PL para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa da Bahia.


