O deputado federal João Roma, líder do PL na Bahia e ex-ministro da Cidadania no governo de Jair Bolsonaro, foi convocado para prestar esclarecimentos à CPI do Crime Organizado sobre sua relação com o banco Master e o banqueiro Augusto Lima. O parlamentar é apontado como aliado de Lima, sócio de Daniel Vorcaro, e pode ser questionado sobre decisões tomadas durante o governo Bolsonaro.
Entre os temas previstos está o credenciamento do Master para operar o consignado ligado ao auxílio emergencial no fim daquela gestão. O cartão CredCesta, comandado por Augusto Lima no banco, passou a fazer a originação de empréstimos consignados para aposentados do INSS em 24 estados e 176 municípios.
Dados do INSS mostram que os contratos do CredCesta cresceram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, alta superior a 2.500%. O cartão oferece operações de crédito consignado, saques com taxas menores e serviços como cartão de compras, desconto em farmácias e auxílio-funeral. A operação chegou a responder por metade da receita do Banco Master.
Relações políticas
Roma foi chefe de gabinete de ACM Neto e se elegeu deputado federal pelo Republicanos em 2018 com o apoio do então aliado. Depois, os dois romperam. Roma foi nomeado ministro por Jair Bolsonaro, deixou o Republicanos e passou ao PL.
Nesse período, o deputado aproximou Augusto Lima de integrantes da direita. Antes disso, o banqueiro mantinha relações políticas com Jaques Wagner e Rui Costa, ambos ligados ao PT, conforme a descrição das articulações políticas envolvendo o banco.
Roma e ACM Neto voltaram a se aproximar para disputar juntos as eleições de 2026. Roma pretende concorrer ao Senado, enquanto ACM Neto é candidato ao governo da Bahia. A convocação na CPI pode ampliar o desgaste político relacionado ao banco e atingir a composição da chapa, que reúne o deputado e o ex-prefeito de Salvador.


