Salvador, Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Salvador 24°C 23° / 28° Mega-Sena 3058: 14 · 23 · 53 · 56 · 57 · 60
Perto de você
Política

PGR aponta atuação de Eduardo Bolsonaro em recursos para filme sobre Jair Bolsonaro

Parecer baseado em investigação da PF autorizou inquérito no STF sobre financiamento transnacional de Dark Horse.

Em mensagem, Eduardo Bolsonaro cita que dinheiro para 'Dark Horse' vindo do Brasil seria 'problemático': 'Ideal seria haver recursos já nos EUA'
Foto: Jornal Nacional/Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro orientou a gestão e a remessa de recursos nos Estados Unidos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O parecer, elaborado com base em investigações da Polícia Federal (PF), autorizou a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o financiamento transnacional da produção.

Assinado em julho de 2026 pelo procurador-geral Paulo Gonet, o documento reúne uma captura de tela de conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro. A mensagem trata da necessidade de manter os recursos nos Estados Unidos e apresenta dificuldades para o envio de valores a partir do Brasil.

“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo”, diz o trecho atribuído ao ex-deputado. A mensagem também menciona remessas feitas aos poucos, com prazo estimado de cerca de 6 meses, caso a empresa brasileira não tivesse o orçamento necessário para uma transferência de maior volume.

Eduardo ainda teria sugerido o envio do máximo possível pelo sistema então utilizado e pediu retorno sobre uma reunião. Na conversa, ele cita Altieris Santana, que estaria disponível para participar de encontros. Santana é identificado na apuração como diretor do Havengate Development Fund, fundo de investimento sediado no Texas, nos Estados Unidos, responsável por administrar os valores e repassá-los à produtora Go Up Entertainment.

Contrato e suspeitas sobre os repasses

A apuração aponta que empresas teriam sido usadas para operacionalizar transferências destinadas à produção cinematográfica. Em dezembro de 2024, o publicitário Thiago Miranda enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta de acordo de financiamento para o filme, que na época tinha o título “Capitão do Povo”. O documento previa investimento total de US$ 24 milhões, dividido em 14 parcelas.

Em depoimentos, o empresário relatou pagamentos ao fundo responsável pelo financiamento, o uso de uma empresa nas Bahamas para repasses ordenados por Vorcaro e a compra de malas destinadas exclusivamente à entrega de dinheiro vivo.

Na representação encaminhada ao STF, a PF afirmou que o valor previsto para a produção era desproporcional aos referenciais do mercado audiovisual nacional. Para os investigadores, essa diferença justificava a apuração sobre a compatibilidade econômica do projeto e a destinação efetiva dos recursos.

O parecer da PGR também indica que o senador Flávio Bolsonaro teria mantido tratativas diretas com Daniel Vorcaro sobre cobranças de repasses, reuniões e o acompanhamento das gravações. Em setembro de 2025, Thiago Miranda informou a Vorcaro que Flávio queria encontrá-lo para mostrar trechos do material gravado. No dia seguinte, registros indicaram uma ligação entre os dois no mesmo período de uma remessa da Entre Investimentos para o fundo nos Estados Unidos.

Entre os pontos que a investigação deverá esclarecer estão a origem dos recursos, a razão do uso da Entre Investimentos como intermediária, a função do Havengate Development Fund, os beneficiários finais dos valores enviados ao exterior e a atuação de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e dos demais envolvidos.

Flávio Bolsonaro negou que os recursos tenham sido destinados a Eduardo e afirmou que o dinheiro foi aplicado integralmente no filme: “Não foi para o Eduardo Bolsonaro.” A defesa do senador ainda não havia enviado resposta até a última atualização das informações.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.