Luiz Inácio Lula da Silva restringiu o núcleo de sua campanha à participação de quatro pessoas e avalia reforçar o comando eleitoral com novos nomes. A decisão ocorre após o presidente reclamar da estagnação dos índices de aprovação do governo e diante de vazamentos sobre reuniões da coordenação ampliada.
O grupo principal é formado pelos ministros Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência; pelo presidente do PT, Edinho Silva; e pelo petista Paulo Okamotto, que participa de forma esporádica. A equipe de comunicação e ministros próximos de Lula, como José Guimarães, das Relações Institucionais, são chamados conforme o tema das reuniões.
Entre os nomes avaliados para integrar o comando está Aloizio Mercadante, presidente do BNDES. A previsão é que ele se licencie do cargo para participar da campanha. A possível entrada de Mercadante e a presença de Sidônio também levaram à discussão sobre uma nova formação da equipe vitoriosa de 2022.
Gleisi Hoffmann e Rui Falcão, no entanto, dificilmente seriam reintegrados. A ex-ministra e deputada federal enfrenta uma disputa pelo Senado no Paraná, enquanto Falcão teria resistência de Edinho Silva após a disputa pela presidência do PT em 2025.
Avaliação do governo e dificuldades na campanha
Na pesquisa Datafolha mencionada, 42% dos eleitores classificam o governo como ruim ou péssimo. Outros 31% avaliam a administração como ótima ou boa, e 25% dizem que ela é regular. Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, os dois têm 46% e 44%, respectivamente, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Além da estabilidade na aprovação, aliados apontam o atraso na distribuição de material e a realização de poucos comícios e eventos nos estados como entraves da campanha.
Também há críticas à forma como Lula conduz compromissos importantes. Na convenção do partido, ele deixou de seguir o discurso escrito e falou por uma hora e 20 minutos. Em outro episódio, passou o microfone à primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que desde então tem discursado nos atos e cantado com um pastor evangélico.
Petistas e aliados ainda questionaram a ausência de uma defesa, no lançamento da candidatura em São Bernardo do Campo, do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso. A proposta é apontada como um dos principais motes da campanha, mas Lula voltou a falar de improviso no evento.



