Pessoas com deficiência enfrentam desvantagens no mercado de trabalho, na educação, na infraestrutura urbana e na participação política, de acordo com um informativo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo cruza dados do Censo Demográfico 2022, da Pesquisa de Informações Básicas Municipais, do Censo Escolar, do Censo da Educação Superior, do Tribunal Superior Eleitoral e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
O Censo Demográfico 2022 registrou 14,4 milhões de pessoas com deficiência com 2 anos ou mais, o equivalente a 7,3% desse grupo populacional. A dificuldade de enxergar foi a limitação mais frequente, atingindo 7,9 milhões de pessoas. Quase 4 milhões acumulavam duas ou mais limitações.
Trabalho e renda
Em 2022, o nível de ocupação entre pessoas com deficiência de 14 anos ou mais foi de 29,0%, contra 55,8% entre aquelas sem deficiência. A menor taxa apareceu entre pessoas com limitações nas funções mentais, com 12,9%. Já o maior índice foi registrado entre quem tinha dificuldade de enxergar: 35,9%.
As mulheres com deficiência apresentaram nível de ocupação de 24,4%, abaixo do registrado entre homens com deficiência, de 35,4%, e entre mulheres sem deficiência, de 47,0%. A renda média mensal das pessoas com deficiência foi de R$ 2.053, correspondente a 71% do rendimento médio das pessoas sem deficiência, de R$ 2.890.
Nos domicílios com pessoas com deficiência, a renda do trabalho representou 55,7% do rendimento total. O restante veio de outras fontes. Para o pesquisador André Simões, esse resultado pode estar relacionado à participação de aposentadorias, pensões e benefícios sociais, como o Benefício de Prestação Continuada.
Educação e acessibilidade
Entre jovens de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo foi de 12,2% entre pessoas com deficiência, contra 1,0% entre aquelas sem deficiência. O índice chegou a 40,4% no grupo com limitações nas funções mentais.
Na faixa de 6 a 14 anos, frequentavam a escola 82,3% das crianças com deficiência profunda, 95,6% das pessoas com deficiência severa e 98,4% das pessoas sem deficiência. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, as taxas foram de 65,6%, 82,8% e 85,4%, respectivamente.
Em 2025, 78,5% das escolas de educação básica tinham ao menos um recurso de acessibilidade. Banheiros acessíveis estavam disponíveis em 57,0% das unidades, enquanto salas de recursos multifuncionais para atendimento educacional especializado apareciam em 30,0%.
Na educação superior, as matrículas de graduação de pessoas com deficiência passaram de 33,4 mil em 2014 para 95,6 mil em 2024. No ensino a distância, o número subiu de 11,9 mil em 2019 para cerca de 45 mil em 2024.
Mobilidade e participação política
O ônibus ou BRT foi o meio mais usado no deslocamento para o trabalho por pessoas com deficiência ocupadas, com 24,7%. O tempo médio do trajeto foi de 37 minutos, quatro minutos acima do registrado entre pessoas sem deficiência.
Entre moradores de áreas urbanas, 67,4% das pessoas com deficiência viviam em locais com obstáculos nas calçadas, e apenas 12,9% contavam com rampas para cadeirantes. No Nordeste, o percentual de acesso a rampas foi de 7,4%.
A presença de pessoas com deficiência em cargos políticos também diminuiu. Entre 2020 e 2024, o número de vereadores eleitos caiu de 522 para 391. No mesmo período, a quantidade de prefeitos com deficiência passou de 56 para 24. Nas eleições de 2022, foram eleitos dois deputados estaduais, uma deputada estadual, um deputado federal e uma deputada federal com deficiência.
A coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, Luanda Botelho, afirmou que o levantamento reúne diferentes dimensões da vida pública e evidencia barreiras no acesso a direitos.


