A candidata ao Senado pela Bahia Professora Delliana Ricelli (PSOL) cobrou explicações públicas de João Roma sobre a mudança de posição em relação a ACM Neto. Os dois foram adversários nas eleições de 2022 e, atualmente, fazem parte da mesma chapa eleitoral.
Delliana afirmou que a substituição de críticas por elogios levanta dúvidas sobre a coerência dos compromissos apresentados aos eleitores. Para ela, Roma precisa esclarecer se as acusações feitas contra ACM Neto eram verdadeiras ou se foram utilizadas como estratégia durante a campanha.
Críticas durante a campanha
Em 2022, Roma questionou a forma como ACM Neto tratava sua identidade racial e perguntou se ele queria ser um “afroconveniente”. O então candidato também criticou a ausência do adversário em debates e disse que quem pretendia governar a Bahia não poderia ficar em cima do muro.
Roma ainda afirmou que ACM Neto fazia parte de um grupo político que se revezava no poder e aumentava impostos. Em outras declarações, chamou o ex-prefeito de Salvador de “riquinho” e usou a expressão “cara de madeira” ao contestar as propostas do adversário.
Agora, segundo as declarações mencionadas por Delliana, Roma passou a descrever ACM Neto como uma pessoa de coração limpo, motivada e conectada. Ele também afirmou que o ex-prefeito estaria sintonizado com as pessoas e atento às necessidades de cada uma.
Questionamentos sobre a nova chapa
A candidata também criticou a decisão de Roma de se aliar a um grupo que ele próprio havia contestado. Na avaliação dela, a mudança ocorreu por causa da aliança eleitoral e precisa ser explicada aos eleitores.
“Isso não é mudança de opinião é conveniência eleitoral”, afirmou Delliana.
Ela disse que divergências políticas podem ser superadas, mas defendeu que uma alteração profunda no discurso não seja acompanhada apenas pelo abandono dos ataques anteriores e pela adoção de elogios. Para Delliana, o histórico das declarações deve ser considerado antes da avaliação dos compromissos da nova chapa.
A candidata concluiu que o voto exige responsabilidade, memória e compromisso. Também afirmou que mandatos não devem ser tratados como resultado de acordos entre grupos que antes trocavam acusações e agora compartilham um projeto político.




