A candidata ao Senado pela Bahia Professora Delliana Ricelli (PSOL) questionou a mudança no discurso de João Roma sobre ACM Neto. Os dois foram adversários nas eleições de 2022, com críticas públicas durante a campanha, e agora integram a mesma chapa eleitoral.
Para Delliana, a troca dos ataques por elogios levanta dúvidas sobre a coerência dos compromissos apresentados aos eleitores. A candidata afirmou que Roma precisa esclarecer se as acusações feitas contra ACM Neto eram verdadeiras ou se foram usadas como estratégia eleitoral.
Críticas feitas em 2022
Durante a campanha, Roma questionou a forma como ACM Neto tratava sua identidade racial e perguntou se ele queria ser um “afroconveniente”. Também criticou a ausência do então adversário em debates, dizendo que quem pretendia governar a Bahia não poderia ficar em cima do muro.
O ex-candidato ao Governo da Bahia ainda afirmou que ACM Neto fazia parte de um grupo político que se revezava no poder e tinha o hábito de aumentar impostos. Em outras declarações, chamou o ex-prefeito de Salvador de “riquinho”, associando-o a roupas caras, pulseira e carro de luxo, além de usar a expressão “cara de madeira” ao contestar suas propostas.
Quatro anos depois, Roma passou a elogiar o antigo adversário. Segundo as declarações mencionadas por Delliana, ele descreveu ACM Neto como uma pessoa de coração limpo, realmente motivada e muito conectada, além de dizer que o ex-prefeito estaria sintonizado com as pessoas e atento às necessidades de cada um.
Questionamentos sobre a aliança
Delliana também apontou contradição na decisão de Roma de se juntar a um dos grupos que ele próprio criticava. Para ela, a mudança de posição ocorreu em razão da aliança eleitoral e precisa ser explicada publicamente.
“Isso não é mudança de opinião; é conveniência eleitoral”, afirmou a candidata.
A candidata defendeu que divergências políticas podem ser superadas, mas disse que uma alteração profunda no discurso não deve ser acompanhada apenas pelo apagamento dos ataques anteriores e pela adoção de elogios. Na avaliação dela, os eleitores precisam considerar o histórico das declarações antes de avaliar os compromissos apresentados na nova chapa.
Delliana concluiu que o voto exige responsabilidade, memória e compromisso, e afirmou que mandatos não devem ser tratados como resultado de acordos entre grupos que antes trocavam acusações e agora compartilham um projeto político.




