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Política

Contrato do Banco Master previa até R$ 427 milhões em honorários por precatórios

Minuta encontrada pela PF previa pagamento de 5% a escritório ligado à esposa de desembargador do TRF-1 em ações de R$ 8,5 bilhões.

Contrato de Vorcaro previa até R$ 427 milhões a escritório de esposa de desembargador identificado como da ‘turma’ de Nunes Marques
Foto: Reprodução

A Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro, banqueiro e controlador do Banco Master, uma minuta de contrato que previa até R$ 427 milhões em honorários advocatícios para o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos. O documento, datado de março de 2024, tratava da atuação em processos relacionados a precatórios.

O escritório é de Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O contrato estabelecia honorários líquidos de 5% sobre os valores recebidos pelo banco em ações da indústria sucroalcooleira. Os processos somavam R$ 8,5 bilhões e, caso houvesse êxito em todos, os pagamentos poderiam alcançar R$ 427 milhões.

Em nota, o escritório afirmou que nenhum dos casos em que atua para o Banco Master tramita no Supremo Tribunal Federal ou tem vínculo com ministros da Corte. Também informou que, embora trabalhe para o banco há quase três anos, não recebeu pagamentos por pró-labore ou por êxito.

Mensagens sobre julgamentos e benefícios

Meses depois da formalização do contrato, Vorcaro enviou mensagem a Newton Ramos lembrando de um julgamento de interesse marcado para o dia 4 de dezembro. O desembargador respondeu: “lembrei”, “tudo certo”.

Em 3 de junho de 2025, Camilla Ramos comemorou uma decisão favorável às usinas na 2ª Turma do STF e elogiou um voto do ministro Kassio Nunes Marques. Depois, tentou marcar um encontro com Newton Ramos para conversar rapidamente.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro também usam a expressão “turma do KN” para se referir a pessoas ligadas ao ministro. Em 20 de fevereiro de 2025, um operador de viagens informou que o grupo “KN/Newton” havia enviado seis nomes para um camarote bancado pelo banqueiro durante o Carnaval no Rio de Janeiro.

As conversas mencionam ainda a organização de hospedagens em Salvador e no Rio de Janeiro, incluindo quartos do hotel Fasano. Em maio de 2025, uma assistente encaminhou a Vorcaro um pedido de Newton Ramos por uma tarifa promocional para Nunes Marques se hospedar no Fasano. Vorcaro respondeu: “Pode pegar e colocar na minha conta”. O desembargador também teria pedido ingressos para um show em um hotel em São Paulo e para a Fórmula 1.

Precatórios e outras mensagens

O Banco Master adquiriu, em 2023, direitos sobre precatórios por meio de fundos de investimento que haviam recebido esses créditos. As empresas responsáveis pela administração dos fundos são investigadas na Operação Compliance Zero. A Polícia Federal apura suspeitas de que parte dos precatórios tenha sido expedida antes do encerramento dos processos, quando a União ainda poderia recorrer e contestar os valores.

Em 1º de outubro de 2024, Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do Master, informou a Vorcaro que o banco havia vencido uma disputa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. Segundo a mensagem, os votos favoráveis foram de Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques.

Na sequência, Rennó enviou o contato de Kevin Marques, filho de Nunes Marques, e escreveu: “Dominado aqui”. Em 4 de julho de 2025, questionou se um pagamento de “500 mil mês” deveria ser mantido. No mês seguinte, encaminhou uma lista de consultorias e escritórios ligados a autoridades e perguntou se havia alguma prioridade máxima.

Vorcaro citou “Consult”, Guido e Lewandowski. Em 8 de agosto de 2025, Rennó afirmou que, entre os pagamentos essenciais, faltava a Consult. A empresa pertence a um sócio do filho do ministro e usa o mesmo endereço de e-mail do IPTF (Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária), que pertence a Kevin.

Manifestação de Nunes Marques

Nunes Marques afirmou que nunca votou a favor de Vorcaro ou do Banco Master, não trocou mensagens com o banqueiro e nunca pediu nada a ele. Também disse que não autorizou ninguém a falar em seu nome.

Sobre o processo envolvendo uma usina, o ministro declarou que estava impedido por anotação da Secretaria porque havia decidido o caso como vice-presidente do TRF-1. Depois, segundo a nota, entendeu que tecnicamente não havia impedimento, pediu a correção do registro e votou. A manifestação acrescenta que o caso não tratava de uma ação do Banco Master, mas de uma tese aplicável a diversas empresas.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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