SÃO PAULO — A palestra de Lynn Painter levou a organização da Bienal do Livro de São Paulo a controlar gradualmente a entrada do público na Arena Cultural, depois que fãs ocuparam os corredores e se concentraram junto às grades do espaço. Os ingressos para este sábado (5) estavam esgotados, e a chuva intensa não reduziu a movimentação.
A autora americana, conhecida por comédias românticas, chegou ao palco com dez minutos de atraso, recebida por gritos e celulares erguidos. A primeira fala foi em português. “Tenho praticado meu português todos os dias, mas não sou muito bom”, disse Lynn, que também agradeceu pela recepção dos leitores brasileiros.
Público se organiza antes da palestra
A concentração começou por volta das 13h, mais de três horas antes da entrevista, prevista para as 16h30. Adolescentes, mães, pais e avós se sentaram no chão e formaram uma fila que dificultou o acesso à Arena Cultural durante boa parte da tarde.
Segundo a organização, a mesa de Lynn ficou mais cheia que a do autor Raphael Montes, realizada no dia anterior. Durante o aquecimento, os fãs fizeram ondas com os braços, bateram leques e repetiram gritos como “Lynn, cadê você? Eu vim aqui só para te ver”.
A conversa abordou os personagens dos livros da autora, seu processo de escrita e a adaptação da Netflix para o cinema de “Melhor do que nos Filmes”, publicado no Brasil pela Intrínseca. Quem ficou do lado de fora teve dificuldade para acompanhar o áudio e pediu que o som fosse aumentado.
A mediadora Mari Araújo entregou a Lynn um RG de brincadeira, em referência às visitas frequentes da autora ao Brasil. Ela participa das bienais do Rio de Janeiro e de São Paulo desde 2023.
A movimentação também afetou a mesa anterior, “Carolina Maria de Jesus: memória, legado e cinema”. Os gritos dos fãs de Lynn e o barulho feito durante gravações dificultaram a escuta de quem acompanhava a conversa sobre a cinebiografia da escritora.
Chuva afeta saída e transporte
Depois do almoço, a chuva complicou o retorno do público. A fila do transfer oficial, que liga gratuitamente a estação Portuguesa-Tietê ao Distrito Anhembi, deu voltas enquanto os ônibus levavam cerca de uma hora para fazer o trajeto por causa do trânsito. Integrantes da organização avisaram que o serviço havia sido pausado momentaneamente, mas a informação não chegou a todas as pessoas na fila.
Dentro da Bienal, os corredores pareciam mais espaçosos que na edição de 2024, mas ainda havia fluxo intenso, filas para pagamento e pessoas sentadas no chão. Embalagens de lanche, canudos e outros resíduos se acumularam ao longo do dia.
No palco principal, o público também recebeu Alice Oseman, escritora e ilustradora de “Heartstopper”. Criada em 2016, a história em quadrinhos, publicada no Brasil pela Seguinte, soma mais de 10 milhões de cópias vendidas em 39 países e foi adaptada pela Netflix.
A obra acompanha a descoberta do primeiro amor entre Nick e Charlie e aborda amadurecimento, sexualidade, saúde mental, amizade e superação de traumas. Durante a conversa, Oseman respondeu a perguntas sobre os personagens e experiências LGBTs. “Amizade é muito importante nesse processo”, afirmou a autora.



