TÓQUIO — A capital japonesa reúne, em poucos quilômetros, mercados de frutos do mar, templos budistas, restaurantes históricos, treinamento com arco e katana e vielas movimentadas. A cidade é formada por 23 distritos especiais, cada um com administração, identidade e atmosfera próprias. Shinjuku, Shibuya, Asakusa e Ginza funcionam como pequenos universos dentro da mesma metrópole.
A combinação entre passado e futuro aparece nos arranha-céus, nos trens, nas pequenas casas de madeira, nos templos e nas ruas comerciais. Também está na convivência entre pessoas de quimono e jovens vestidas em cosplay de Pikachu.
Sabores do mercado de Tsukiji
O roteiro pode começar em Tsukiji, área que durante décadas foi associada ao maior mercado de peixes do mundo. O mercado atacadista foi transferido para Toyosu em 2018, mas a parte externa continua reunindo centenas de lojas, bancas e pequenos restaurantes.
Ali, os visitantes encontram frutos do mar, facas, temperos e outros produtos ligados à chamada “cozinha de Tóquio”. Entre as opções está o Maguroya Kurogin, especializado em atum. O peixe aparece em cortes como akami, chutoro e otoro, com diferentes níveis de gordura.
A região também abriga o Kouragumi, conhecido pela enguia, e o Tsukiji Ihachi Honten, onde é possível provar king crab. Uma das características de Tsukiji é oferecer ingredientes associados a restaurantes luxuosos em balcões pequenos, muitas vezes com as refeições consumidas em pé.
Arco, katana e tempurá
Em Asakusa, o BUB Activity Center oferece treinamento inspirado nas artes dos samurais, com princípios básicos de arco e katana. A atividade apresenta movimentos que exigem concentração, disciplina e atenção ao gesto, sem transformar os participantes em samurais.
O almoço pode ser servido no Daikokuya, restaurante fundado em 1887 e reconhecido pelo tempurá. A versão da casa chega com molho escuro sobre o arroz. O prato mostra uma face mais generosa e untuosa da culinária japonesa, diferente da ideia de que a gastronomia do país é sempre leve, crua ou minimalista.
Entre o templo e as ruas comerciais
Próximo ao restaurante fica o Sensō-ji, o templo budista mais antigo de Tóquio. Sua história começa no ano de 628, quando, segundo a lenda, dois pescadores encontraram uma estátua de Kannon, a divindade da compaixão.
O caminho até o templo passa pelo Kaminarimon, o Portão do Trovão, marcado por uma grande lanterna vermelha, e pela Nakamise-dori. A rua reúne lojas, lembranças, comidas de rua, doces feitos com pasta de feijão, biscoitos de arroz, bolinhos e sorvetes de matcha.
A noite em Omoide Yokocho
O dia termina em Omoide Yokocho, em Shinjuku. O nome pode ser traduzido como “Beco das Memórias”. O conjunto de vielas também recebeu, no passado, o apelido de “Beco da Urina”, associado ao período pós-guerra, quando havia bares improvisados e poucos banheiros.
No Yasube’e, especializado em pratos tradicionais de izakaya, a refeição inclui agedashi tofu, nasu agedashi, yakitoris, polvo frito e espetinhos de diferentes partes da enguia, incluindo a barbatana. O ambiente é marcado por pequenas grelhas, balcões apertados e fumaça.
A experiência apresenta uma face barulhenta e descontraída da cozinha japonesa, acompanhada sobretudo por saquê, cerveja e uísque. A região também permite observar o nomikai, encontro entre colegas em que beber se torna uma extensão da vida profissional.
Entre Tsukiji, Asakusa e Shinjuku, Tóquio mostra como mercados, tradições militares, templos, restaurantes antigos e bares do pós-guerra podem fazer parte do mesmo roteiro. Em um dia, não é possível conhecer toda a cidade, mas dá para acompanhar diferentes momentos de sua história e de sua vida cotidiana.



