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Estudo aponta aumento de betacaroteno em flores tratadas com resíduo de vinho

Biofertilizante produzido com bagaço de uva elevou compostos antioxidantes da calêndula pôr do sol, especialmente no verão.

Estudo aponta aumento de betacaroteno em flores tratadas com resíduo de vinho

Testes com a calêndula pôr do sol mostraram que um biofertilizante feito a partir de bagaço de uva pode alterar o perfil nutricional da flor comestível. No verão, a concentração de betacaroteno chegou a 80,9 miligramas por 100 gramas de flor liofilizada, resultado superior a 250% ao registrado no cultivo convencional sem o resíduo.

O betacaroteno é um precursor da vitamina A e tem ação antioxidante. Além do aumento desse composto, o experimento também identificou elevação nos níveis de fenólicos totais e na atividade antioxidante das flores. Durante o inverno, os principais ganhos foram observados na retenção de pigmentos e minerais.

A pesquisa foi conduzida por equipes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os resultados foram publicados em junho na revista ACS Omega.

Do resíduo ao adubo líquido

O bagaço é gerado durante a fabricação de vinho e corresponde a entre 20% e 25% da massa da uva processada. A produção global desse resíduo varia de 9 a 13 milhões de toneladas por ano. Para reaproveitar o material, os pesquisadores utilizaram a digestão anaeróbia, processo em que microrganismos decompõem matéria orgânica sem a presença de oxigênio.

O resultado é um digestato líquido rico em nutrientes, usado como biofertilizante no cultivo. Luiz Eduardo Nochi Castro, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA-Unicamp), explicou que o bagaço reúne fibras, açúcares, compostos fenólicos, antioxidantes e pigmentos naturais, características que permitem a criação de produtos de maior valor agregado.

Avaliação do cultivo

Os testes foram realizados ao longo de 2023, em condições de verão e inverno. Os pesquisadores compararam diferentes dosagens do digestato e regimes de irrigação para verificar os efeitos sobre o crescimento e a qualidade das plantas.

Depois da colheita, as flores foram liofilizadas e submetidas a análises. O estudo avaliou a parte aérea, as folhas e as raízes, além de características físico-químicas das flores, comparando os resultados com o cultivo convencional.

Tânia Forster, professora da FEA-Unicamp e orientadora do trabalho, afirmou que doses moderadas produziram os melhores resultados. Quantidades excessivas do composto ou de água tendiam a prejudicar o desenvolvimento das plantas.

A aplicação em larga escala ainda depende de estudos sobre viabilidade técnica e econômica, custos, logística e integração com vinícolas e empresas que já usam a digestão anaeróbia. A equipe também pesquisa a extração de antioxidantes, compostos fenólicos, açúcares e pigmentos para uso em alimentos, cosméticos e outros produtos naturais. Uma das propostas é combinar a produção de energia e biofertilizante com o aproveitamento das flores e dos resíduos do cultivo, em uma cadeia baseada na economia circular.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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