RIO DE JANEIRO — O ator João Victor Gonçalves, conhecido por interpretar Mau Mau em Quem Ama Cuida, foi hostilizado por um grupo de pessoas ao deixar o Rock in Rio, na madrugada deste sábado (5). Entre os envolvidos estava o streamer GH, que transmitia a abordagem em uma plataforma de vídeos ao vivo.
Registros compartilhados nas redes sociais mostram João sendo seguido enquanto caminhava pela rua. O grupo fez comentários sobre a aparência do ator e riu durante a passagem. Em determinado momento, um saco preto foi levantado na direção dele e quase o atingiu. João não reagiu e continuou andando.
Após a repercussão, o ator publicou um vídeo nas redes sociais e agradeceu as mensagens de apoio. Emocionado, relacionou a situação à trajetória de Mau Mau, personagem que enfrenta preconceito e homofobia dentro da própria família. “Ele engole e segue. Talvez tenha sido isso que eu fiz hoje. Eu engoli e segui”, afirmou.
João também disse que, apesar de ter sido afetado pelo episódio, temeu principalmente ser roubado durante a abordagem. Em outra publicação, tranquilizou os seguidores e afirmou que estava bem. Na legenda, escreveu que homofobia é crime e que os envolvidos não ficariam impunes.
Pedido de desculpas
GH afirmou que fazia uma transmissão na rua e que abordou João com a intenção de produzir conteúdo. Depois de receber críticas e mensagens de ódio, reconheceu que errou e pediu desculpas ao ator. “Estou pedindo desculpa de coração aberto. Perdão aí, irmão. Deus abençoe sua vida grandiosamente”, declarou.
O streamer negou ter agido por preconceito e disse que a abordagem foi feita pelo entretenimento da transmissão. A declaração não impediu a repercussão do caso nas redes sociais.
O ex-BBB Gil do Vigor publicou um vídeo em defesa de João e classificou o episódio como homofóbico. Ele relembrou ter sofrido bullying e ataques durante a infância e a adolescência por causa de seu jeito e afirmou que situações desse tipo não devem ser tratadas como brincadeira ou entretenimento.
Posicionamento do Rock in Rio
A organização do Rock in Rio informou que repudia violência, assédio, discriminação e preconceito. Também afirmou que mantém segurança privada dentro do festival, enquanto as áreas públicas ficam sob responsabilidade dos órgãos competentes.
Segundo a organização, o caso ocorreu fora do perímetro de segurança coberto pelo evento. O Rock in Rio orientou o público a usar os transportes oficiais, como o BRT, e reforçou que condutas de assédio são incompatíveis com os valores do festival e com a proposta de um ambiente diverso, inclusivo e respeitoso.



