O ator João Victor Gonçalves afirmou que foi alvo de ofensas homofóbicas enquanto caminhava para o Rock in Rio e pediu mudanças na segurança do evento. O episódio ocorreu na noite desta sexta-feira (4), em uma área reservada e cercada por grades usada para o acesso do público.
Gonçalves contou que estava concentrado em uma atividade de trabalho para uma marca, em um estande do festival, e demorou a compreender a situação. Ele disse que foi filmado pelo streamer GH Rell RJ e por um grupo que o acompanhava, enquanto os rapazes riam, gritavam e faziam comentários sobre sua aparência, sua roupa e seu jeito de andar.
O ator usava uma calça bufante alaranjada. Segundo o relato, o grupo o chamou de horroroso e passou a segui-lo. Com medo de que as ofensas evoluíssem para uma agressão física, Gonçalves acelerou o passo. Em vídeo divulgado na manhã deste sábado (5), ele afirmou: “Ontem eu sofri um ataque a caminho do Rock in Rio”.
Gonçalves disse que só conseguiu dimensionar o ocorrido depois de chegar em casa. Também cobrou providências da organização do festival e declarou que esperava estar protegido no local.
A organização do Rock in Rio informou, em nota, que repudia violência, assédio, discriminação e preconceito. A empresa disse que mantém segurança privada dentro do festival, enquanto a proteção das áreas públicas é responsabilidade dos órgãos competentes. Conforme a nota, o episódio ocorreu fora do perímetro de segurança coberto pelo evento. A organização orientou o público a usar os transportes oficiais, como o BRT, que deixa os passageiros mais perto das entradas.
GH Rell RJ publicou um vídeo em resposta. Ele negou ter preconceito contra o ator, reclamou de ataques recebidos por ele e por sua família e afirmou que continuava não gostando da calça usada por Gonçalves.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público para pedir a investigação do caso. Ela também disse que cobrará melhorias no esquema de saída dos shows. O autor de “Quem Ama Cuida”, Walcyr Carrasco, manifestou solidariedade a Gonçalves e classificou o episódio como um ataque homofóbico.




