SÃO PAULO — Guilherme Martins, conselheiro fiscal do instituto Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia, foi preso sob suspeita de participar de uma tentativa de latrocínio na região de Itaquera, na zona leste de São Paulo. Ele foi baleado durante a ocorrência e permanece detido preventivamente.
O caso aconteceu na tarde do dia 22 de agosto, na avenida Aricanduva. Conforme o boletim de ocorrência, Martins, 25, estava com outras duas pessoas e teria tentado roubar a moto de um morador. O veículo usado pelo grupo havia sido roubado um dia antes.
Um policial militar à paisana presenciou a ação e interveio. Segundo o registro, Eddy Vinycius Costa Santos disparou duas vezes contra o agente e morreu depois de ser atingido. Os tiros também acertaram uma mulher que estava em um carro. Ela foi levada ao hospital e passa bem.
Martins foi atingido no ombro e na região do quadril. Após receber atendimento médico, foi levado à prisão. Ele já havia sido condenado em outros dois processos por receptação de veículos roubados. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva, sem prazo para soltura. A decisão classificou o caso como um “crime gravíssimo e praticado com consequências sérias e altamente reprováveis”.
Ligação com o instituto
A eleição de Martins para o conselho fiscal do instituto ocorreu dois meses antes do episódio, em uma assembleia extraordinária. A entidade é ligada ao padre Júlio Lancellotti, que também coordena a organização Ezequiel Ramin. Segundo Marcelo Augusto de Sousa e Silva, presidente do instituto, Martins fazia pesquisas em direitos humanos e prestava serviço voluntário como motorista do padre.
A defesa, representada pela advogada Mayra Ferrareto, informou que não comentaria o mérito do processo. Marcelo afirmou inicialmente desconhecer a indicação, mas, após ter acesso à ata da assembleia, disse que preparava a convocação de uma nova reunião para substituí-lo.
Em nota, a advogada Isabeau Lobo Muniz afirmou que a responsabilidade penal, caso exista, deve ser apurada pelas autoridades e que a presunção de inocência deve ser preservada. Ela também disse que Martins integrou o grupo de assistidos do instituto por cerca de um ano antes da eleição.
O instituto foi criado em maio de 2025 e começou a funcionar em setembro, em um prédio na Mooca cedido pela Arquidiocese de São Paulo. A entidade recebeu mais de R$ 1 milhão da paróquia do padre Júlio entre setembro e dezembro de 2025.
Uma auditoria financeira citou problemas nas despesas e apontou que o Mercedário não apresentou evidências para comprovar a aplicação do R$ 1,3 milhão recebido da paróquia. A Arquidiocese afirmou desconhecer os fatos relacionados a Martins e declarou que o instituto é uma entidade privada, com administração própria e independente da estrutura eclesiástica.



