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Vídeos sobre ingredientes de ultraprocessados exigem leitura cuidadosa dos rótulos

Especialistas afirmam que representações visuais podem ajudar na conscientização, mas não revelam necessariamente as proporções reais dos ingredientes.

Vídeos sobre ingredientes de ultraprocessados exigem leitura cuidadosa dos rótulos

Vídeos que mostram visualmente os ingredientes de salgadinhos, refrigerantes, doces e outros produtos industrializados podem ajudar a aproximar o público das informações dos rótulos. Especialistas, porém, alertam que as imagens nem sempre representam com precisão a composição dos alimentos e podem levar a interpretações equivocadas.

No Brasil e nos Estados Unidos, os ingredientes aparecem nos rótulos em ordem decrescente de quantidade. A proporção de cada componente, no entanto, não é informada. Por isso, Laís Botelho, professora do programa de nutrição e saúde coletiva da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) de Macaé (RJ), afirma que não é possível saber exatamente quanto de cada ingrediente existe em um produto apenas com base na lista.

Para Patrícia Mello Silva, mestre em gestão ambiental pela EACH-USP (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP), os vídeos podem tornar mais acessível uma relação de ingredientes que muitas pessoas têm dificuldade para ler. Ela ressalta, contudo, que os itens exibidos podem ser apenas representações, e não necessariamente os produtos usados na fabricação.

A criadora Science Snitch afirma que produz os vídeos a partir da leitura dos rótulos e da comparação com as informações nutricionais. Segundo ela, esse processo permite chegar a estimativas de algumas quantidades. O perfil não informa formação acadêmica ou referências bibliográficas, e Science Snitch não respondeu quando questionada sobre esses pontos.

Flávia Luiza, do perfil “Rótulo Revelado”, também diz que as imagens são representações. Ela afirma não conhecer as proporções exatas, não realizar análises laboratoriais e não pretender substituir o trabalho de nutrólogos, nutricionistas, químicos e engenheiros de alimentos.

Riscos de interpretações simplificadas

Mariana Ribeiro, nutricionista do programa de alimentação saudável do Idec (Instituto de Defesa dos Consumidores), considera que não é possível inferir as quantidades dos ingredientes a partir da listagem. Ainda assim, avalia que esse conteúdo pode contribuir para a conscientização sobre os ultraprocessados.

Giovanna Pisanelli, doutora em ciência de alimentos e responsável pelo aplicativo “Desrotulando”, aponta outro risco: os vídeos podem associar automaticamente aditivos químicos a problemas de saúde. Segundo ela, alguns aditivos são usados para garantir segurança microbiológica, enquanto outros têm função cosmética e não acrescentam valor nutricional.

As especialistas reconhecem a importância de estimular uma alimentação saudável, mas fazem ressalvas ao uso do medo como estratégia. Laís Botelho afirma que mensagens alarmistas podem provocar mudanças de comportamento, porém, sem apresentar alternativas, também podem levar as pessoas a evitar o assunto.

Ribeiro compara os vídeos à rotulagem frontal da Anvisa, que identifica produtos com alto teor de açúcar, gordura e sódio. Já a equipe do Desrotulando defende que conteúdos desse tipo indiquem substituições, expliquem melhor os valores nutricionais e diferenciem eliminação de moderação.

Para Pisanelli, as redes sociais ampliaram a circulação de mitos sobre alimentação, mas também abriram espaço para conteúdos baseados em evidências científicas. A orientação dos especialistas é que as representações visuais sejam vistas como uma forma de chamar atenção para os rótulos, e não como análises exatas da composição dos produtos.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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