A Meta aprovou inicialmente 13 anúncios políticos com conteúdo falso ou irregular sobre as eleições brasileiras, segundo um teste realizado pela organização Ekō. As peças foram submetidas aos sistemas de revisão da empresa durante um período de campanha eleitoral.
Apenas dois anúncios foram recusados. Conforme a Ekō, a Meta classificou os conteúdos como práticas comerciais enganosas ou desonestas, sem apontar como motivo as violações eleitorais, a incitação à violência ou o discurso de ódio presentes no material analisado.
Entre os anúncios aceitos estavam uma peça com data incorreta para o primeiro turno, outra com uma imagem fabricada de um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e uma publicação que atribuía falsamente a Donald Trump um apoio oficial a Flávio Bolsonaro (PL). Esse conteúdo também apresentava uma imagem produzida artificialmente dos dois na Casa Branca.
Conteúdos submetidos aos filtros
O experimento incluiu ainda uma peça que negava a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado. Outro anúncio convocava cidadãos a “retomar Brasília” e mencionava os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de Janeiro de 2023.
Também foram testadas ameaças diretas a congressistas, discurso de ódio contra pessoas transgênero e informações falsas sobre comunidades indígenas. As imagens usadas nas peças foram criadas com ferramentas de inteligência artificial, entre elas ChatGPT, Grok e Gemini, sem indicação explícita de que o conteúdo era artificial.
As regras do TSE exigem que propagandas eleitorais com conteúdo sintético informem de forma destacada o uso dessa tecnologia. A regulamentação também proíbe material fabricado ou manipulado para divulgar fatos notoriamente falsos ou gravemente descontextualizados, quando houver potencial de comprometer o equilíbrio da eleição ou a integridade do processo eleitoral. Essas normas foram atualizadas para a disputa de 2026.
A Ekō não divulgou os textos completos nem as imagens do teste. A organização afirmou que tomou essa decisão para evitar a reprodução das técnicas usadas na avaliação e uma possível tentativa de contornar os sistemas automáticos de revisão.
A Meta declarou que identificou os anúncios antes que fossem exibidos aos usuários e que trabalha para impedir a publicação de conteúdos contrários às suas políticas. A empresa também citou investimentos em mecanismos de segurança e transparência voltados à integridade das eleições.
Para a Ekō, a aprovação inicial das 13 peças indica problemas na análise dos anúncios. O teste ocorreu em um contexto no qual o TSE determina que as plataformas adotem medidas proativas contra desinformação, conteúdos antidemocráticos, incitação à violência e uso irregular de inteligência artificial.



