SALVADOR — A Polícia Federal classificou o ex-prefeito ACM Neto (UB) como principal elo das fraudes investigadas pela Operação Overclean. Candidato ao governo baiano, ele foi criticado pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB), candidata a suplente do senador Jaques Wagner (PT). “Sujou para o amigo do Rei do Lixo!”, afirmou a vereadora.
A declaração faz referência ao empresário José Marcos de Moura, proprietário de empresas investigadas por contratos suspeitos com várias prefeituras, incluindo a capital baiana, sem licitação. Entre agosto e dezembro de 2024, a PF identificou mais de 200 conversas telefônicas entre ACM Neto e Moura.
Em uma dessas ocasiões, o grupo ligado ao empresário foi flagrado transportando malas com cerca de R$5 milhões em Salvador, conforme o relato das investigações.
Outros nomes citados
Aladilce também mencionou Bruno Barral, ex-secretário de Educação nas gestões de ACM Neto e apontado como amigo do ex-prefeito. Segundo a vereadora, Barral indicou a contratação do ex-titular da Smed para o mesmo cargo em Belo Horizonte. Os contratos suspeitos na cidade, também relacionados ao empresário José Marcos de Moura, somam R$80 milhões.
Empresas de Alex Parente, citado como amigo de Neto e Moura, também são alvo das investigações. Para Aladilce, ACM Neto pode levar ao governo estadual problemas associados ao grupo político ligado ao prefeito Bruno Reis.
A Operação Overclean apura suspeitas de fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Em janeiro deste ano, antes do período eleitoral, foi solicitada à Procuradoria-Geral da República autorização para buscas em endereços do ex-prefeito. O pedido foi defendido pelo procurador-geral Paulo Gonet, com o objetivo de aprofundar a apuração e identificar outros envolvidos.
As buscas não foram formalizadas porque o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido da PF.




